O animal que sumiu do Pampa e ainda afeta o bioma hoje

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Um estudo com fósseis revela que o gado atual do Pampa brasileiro não substitui os papéis ecológicos deixados pela megafauna extinta há cerca de 12 mil anos. A pesquisa aponta quedas de 30% na diversidade de mamíferos terrestres e de 40% na diversidade funcional, mesmo com espécies introduzidas pelos humanos atuando no ecossistema.

Confira abaixo uma galeria que reúne imagens-chave do estudo, que ajudam a entender as mudanças ao longo do tempo no bioma.

Para entender a transformação do ambiente, a equipe avaliou características como tamanho corporal, alimentação e estratégia de habitat dos animais fósseis. Esse conjunto permitiu identificar quais funções ecológicas foram perdidas com o desaparecimento da megafauna e como o bioma foi reorganizado ao longo do tempo.

Embora algumas espécies atuais atuem em papéis parecidos com os extintos, não conseguiram recuperar a diversidade de funções que existia antes da extinção. Entre os exemplos citados estão:

  • Cervo-axis (Axis axis), espécie exótica invasora que se espalhou pelo Brasil;
  • Cavalo doméstico (Equus ferus);
  • Espécies que ocupam parcialmente funções deixadas por cervos e cavalos extintos;
  • Animais domésticos que contribuem para algumas funções ecológicas do ambiente campestre.

A presença dessas espécies elevou em 12% a riqueza funcional avaliada pelos pesquisadores. Ainda assim, a maior parte das funções permanece ausente ou duplicada entre espécies introduzidas. O estudo aponta que, mesmo com impactos recentes, o gado continua sendo menos danoso do que uma monocultura extensiva.

Entre o passado e o presente, o Pampa mostra que, no Pleistoceno, entre 2,6 milhões e 11,7 mil anos atrás, viveram preguiças gigantes, gliptodontes e mastodontes — todos os mamíferos com mais de 500 quilos desapareceram. A leitura fósseis ajuda a entender como o ambiente reagiu à perda dessas espécies, moldando o bioma como o conhecemos hoje.

Hoje, o Pampa é o bioma menos protegido do Brasil, com apenas 3% de áreas de conservação e 47,3% da vegetação nativa ainda preservada. Os pesquisadores esperam que essa visão histórica guie políticas públicas de proteção à fauna e ao ecossistema, reforçando que compreender o passado dos animais extintos pode orientar ações para conservar o presente e o futuro.

E você, o que pensa sobre a convivência entre espécies introduzidas e a fauna nativa no Pampa? Compartilhe suas opiniões sobre conservação, manejo do uso da terra e o papel da megafauna no equilíbrio dos ecossistemas brasileiros nos comentários.

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