Sentença detalha esquema de entrada de celulares, drogas e armas em presídio de Feira de Santana

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A sentença que condenou policiais penais e internos do Conjunto Penal de Feira de Santana revela, com detalhes, como operava o esquema investigado pela Operação Sísifo, deflagrada em junho de 2024. O veredito descreve um sistema estruturado para entrada de celulares, drogas e armas brancas, bem como a forma de movimentar recursos para ocultar a origem ilícita.

A decisão aponta quatro mecanismos principais para a entrada de materiais ilícitos dentro da unidade, destacando a tática conhecida como Capa Preta. Trata-se de uma operação sigilosa que contou com a participação de agentes durante a madrugada, carregando mochilas presas por cordas até as janelas das celas.

Na rota de entrega, o material chegava pelas janelas das celas 2 e 4, com internos puxando os itens por meio de rodos. Outra modalidade consistia em ocultar objetos em recipientes de alimentação – cumbucas, arroz, baldes de café e leite – para burlar as revistas internas.

Há ainda quem gravasse o percurso internamente, com detentos identificados como "fardas azuis" responsáveis por circular pela unidade em funções de manutenção. A decisão cita a enfermeira e policial penal Rosana Souza de Oliveira, que utilizava seu acesso para inserir celulares de pequeno porte escondidos em caixas de medicamentos durante atendimentos de saúde.

Outros pontos de entrada incluíam as guaritas ocupadas por policiais investigados ou itens deixados em veículos no pátio interno, para serem recolhidos posteriormente pelos internos autorizados. A soma dessas rotas mostra um esquema bem organizado para abastecer a rede dentro da pris?o.

Na distribuição, lideranças como Nestor Sales, conhecido como "Químico", e Davi Aparecido integravam a cúpula responsável por controlar o fluxo entre os pavilhões. Celulares comprados no exterior eram revendidos dentro da unidade por valores de até R$ 5 mil, rendendo margens de lucro próximas a 200% aos intermediários.

A investigação aponta que o grupo monitorava as fiscalizações, emitindo avisos antecipados a detentos antes das pesquisas oficiais, conhecidas como baculejos. A reduto da atividade criminosa ainda envolveu uma rede de pagamentos fora da prisão, com Pix e depósitos fracionados em contas de terceiros usadas como laranjas.

A lavagém de dinheiro tinha destaque, com parte dos recursos circulando pela empresa de fachada EME Eletricista, convertendo-se posteriormente em bens como propriedades rurais e gado, buscando ocultar a origem ilícita. Entre 2019 e 2023, as apreensões no Conjunto Penal somaram mais de mil aparelhos celulares e milhares de porçoes de drogas, evidenciando a natureza estruturada e lucrativa do esquema apurado pela Operação Sísifo.

O caso lança luz sobre uma rede criminosa bem articulada, com impactos diretos na segurança pública e na integridade do sistema penitenciário. O que você acha dessas táticas utilizadas para burlar a fiscalização? Deixe seu comentário com opinião e perguntas sobre o tema.

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