Resumo: O governo federal decidiu expulsar do Brasil o russo Sergei Vladimirovitch Tcherkasov, acusado pela Polícia Federal (PF) e pelo FBI de ser um agente de inteligência russo que operava no exterior usando uma identidade brasileira falsa. A expulsão administrativa foi publicada no Diário Oficial em 7/7/2026. A medida só será efetivada após o cumprimento da pena brasileira ou mediante autorização judicial para libertação antecipada; ele também ficará proibido de retornar ao Brasil por 30 anos.

Atualmente, ele cumpre cinco anos de prisão em um presídio federal de Brasília por falsidade ideológica, após ter utilizado o nome Victor Muller Ferreira para obter documentos no Brasil, como passaporte, título de eleitor, carteira de habilitação e certificado de reservista.
As investigações da PF e do FBI indicam que Tcherkasov viveu no Brasil desde 2010, usando o país como base para construir identidades legítimas antes de atuar em missões de inteligência no exterior. Não há evidências de espionagem contra o Brasil; os alvos, segundo as autoridades, seriam os Estados Unidos e nações europeias.
O caso ganhou repercussão internacional em abril de 2022, quando foi detido na Holanda ao tentar ingressar no país para um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia. A inteligência holandesa concluiu que ele utilizava uma identidade brasileira fraudulenta e o deportou para o Brasil.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos o denunciou por atuar como agente estrangeiro sem registro, além de crimes de obtenção fraudulenta de visto e documentos. O FBI aponta que ele integrava o grupo conhecido como “ilegais”, formado por agentes treinados para viver anos sob identidades falsas em outros países e obter informações estratégicas para o governo russo.
Após a prisão, a Rússia pediu a extradição, alegando que ele era investigado por tráfico de drogas. A versão brasileira divergiu da dos EUA, que o veem como integrante da inteligência militar russa (GRU). O STF autorizou o pedido de extradição, mas ele depende das investigações no Brasil e da decisão final do Poder Executivo. Com a expulsão publicada, a defesa de Tcherkasov deverá acionar o STF para definir os próximos passos. O russo nega ser agente da GRU.
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