Resumo: a crise envolvendo operações policiais que atingem aliados do PL, União Brasil e PP alimenta a tensão na pré-campanha de Douglas Ruas ao governo do Rio, com novas investigações mirando antigos episódios da gestão Castro e possíveis desdobramentos que ameaçam a coesão da chapa.
Nesta semana, o Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu pessoas ligadas a um suposto esquema no Instituto Rio Metrópole (IRM), entre elas Maurício Knoploch, diretor de Planejamento do IRM e pai do deputado Alexandre Knoploch (PL). O episódio reforça a sensação de que a investigação pode atingir diversos nomes que orbitam a chapa.
Poucos dias antes, o ex-prefeito de Belford Roxo, Mário Canella (União), anunciado como uma das cartas ao Senado na dobradinha com Ruas, foi alvo da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis e acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma. A sequência de ações passa a desenhar o cenário de uma campanha sob influência direta da auditoria e da persecução policial.
A turbulência, conforme já havia ficado evidente desde maio, não é nova para a coligação. Em meio às investigações envolvendo Cláudio Castro, alvo de apurações da PF sobre fraudes ligadas ao Banco Master e à Refit, a bancada teme que recentes episódios alimentem dúvidas sobre a operação do governo estadual e da chapa.
“Ele tem chances, nossa candidatura é boa, mas a situação está complicada. Hoje, se me pedissem para apostar, eu apostaria que vai ter nova operação do MP ou da PF contra as pessoas do governo do Castro e do PL. Isso é muito ruim”, desabafou.
Ainda sob reserva, uma liderança do PP diz enxergar a construção de uma imagem de que há “problemas e investigações rondando” o palanque, o que tende a dificultar o andamento da campanha. Outros parlamentares também temem desdobramentos ligados ao ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, preso recentemente, que segundo a base pode queimar gente ligada ao projeto.
A leitura de bastidores mostra que aliadas do União Brasil e do PP defendem que as críticas ao governo Castro tenham timming estratégico para blindar Ruas, mas o desgaste é crescente. Um súbito atraso na definição da chapa do Senado também alimenta a percepção de fragilidade no palanque.
A composição original previa, entre outras coisas, uma divisão do Senado entre União Brasil (Mário Canella) e PL (Cláudio Castro). Com Canella sob investigação e Castro afastado da disputa, o cenário para as negociações ficou ainda mais em aberto, deixando aliados de Flávio Bolsonaro cautelosos sobre o anúncio do candidato ao Senado.
As últimas apurações e a demora para consolidar nomes têm impactado a organização da campanha. Enquanto o principal adversário, Eduardo Paes, já desponta na liderança das intenções de voto com mais de 50%, Ruas e seus aliados tentam rearranjar estratégias para reduzir a distância, buscando críticas ao governo anterior para preservar seu espaço eleitoral no Rio.
A eleição ao governo do Rio, assim como o pleito ao Senado, permanece em aberto, com o PL, União Brasil e PP buscando entender os próximos passos diante de novos desdobramentos jurídicos e dos sinais de cansaço entre eleitores da Baixada e da capital.
E você, o que acha que pode mudar o rumo dessa corrida? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte quais caminhos você acredita serem mais eficazes para quem está na trama eleitoral do Rio de Janeiro.
