Salvador e a região metropolitana registraram, em junho, ao menos 97 tiroteios. O dado evidencia que a violência não fica restrita às vias públicas: 13 pessoas foram baleadas dentro de residências, com 10 mortes e 3 feridos. O quadro aponta para uma escalada que transgride fronteiras tradicionais da violência urbana, atingindo espaços anteriormente vistos como proteção.
Ainda em 2026, o saldo aponta 101 baleados, com 78 mortos e 23 feridos. Destas ocorrências, 53 aconteceram durante ações policiais, deixando 45 mortos e 13 feridos. Em comparação, no mesmo período de 2025 houve 7 vítimas (5 mortos e 2 feridos).
Para Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, o crescimento da violência mostra que os ataques já não ficam apenas nas ruas. “O aumento considerável de pessoas baleadas dentro de residências escancara os impactos para além da vida urbana”, afirma a pesquisadora, ressaltando a necessidade de políticas de proteção às pessoas.
Panorama por municípios (Salvador, a cidade mais atingida): Salvador 73 tiroteios, 58 mortos e 21 feridos; Camaçari 10 tiroteios, 7 mortos e 2 feridos; Dias D’Ávila 6 tiroteios e 6 mortos; Simões Filho 4 tiroteios e 2 mortos; Vera Cruz 2 tiroteios e 2 mortos; Candeias 1 tiroteio e 1 morto; Lauro de Freitas 1 tiroteio e 1 morto.
Os números, além de sinalizarem uma escalada da violência, indicam a necessidade de ações integradas de segurança, políticas de proteção às famílias e investimentos em prevenção, com foco na redução da exposição de pessoas em casa e em áreas de risco. O relatório reforça que proteção social precisa caminhar lado a lado com estratégias de policiamento e planejamento urbano.
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