Argumentos de Amcham e CNA rejeitam tarifa de 25% em audiência nos EUA

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Washington recebeu, nesta segunda-feira (6/7), uma audiência pública sobre a possível cobrança de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras aos EUA, no âmbito da investigação da Seção 301 do USTR. A Amcham Brasil e a CNA apresentaram seus argumentos. O governo brasileiro não mandou representante para falar; a Embaixada acompanhou, e o Itamaraty encaminhou uma manifestação escrita.

Win McNamee/Getty Images
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump durante coletiva - Metropoles

A sessão integra a etapa final da apuração, que avalia se políticas brasileiras prejudicam empresas americanas. Entre os temas sob escrutínio estão o Pix, o comércio digital, tarifas sobre o etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e ao desmatamento ilegal. Com base nas conclusões preliminares, o USTR sugeriu uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, e a audiência serve para que setores afetados apresentem argumentos antes da decisão final.

A Amcham Brasil, representada por Kristina Rosales, pediu que Brasil e EUA busquem um acordo antes de qualquer adoção de tarifas. Abrão Neto, presidente da entidade, destacou que ainda há espaço para intensificar o diálogo e evitar medidas que elevem custos para empresas e consumidores americanos. A Amcham ressaltou que a tarifa poderia encarecer insumos brasileiros e reduzir a participação brasileira no mercado dos EUA, além de aumentar a dependência de fornecedores asiáticos. Como alternativa, sugeriu negociações sobre acesso a mercados, comércio digital, propriedade intelectual, patentes e minerais críticos, enfatizando que divergências devem ser resolvidas bilateralmente, não por barreiras comerciais.

A CNA, representada por Fernanda Carneiro, reforçou quatro mensagens centrais: a competitividade do agro brasileiro vem da produtividade, não do desmatamento ilegal; o Brasil continua aberto ao etanol dos EUA; acordos comerciais com México e Índia não prejudicam exportadores americanos; e a investigação não comprovou danos ao comércio com os EUA. A entidade também ressaltou a integração das cadeias produtivas entre os dois países, lembrando que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e que qualquer tarifa pode elevar custos para produtores e consumidores norte-americanos, além de afetar as cadeias de suprimento.

A audiência segue nesta terça-feira (7/7), com novas manifestações de empresas e associações brasileiras e norte-americanas. O USTR analisará os argumentos antes de decidir manter, ajustar ou retirar a proposta de tarifa adicional.

Em resumo, o debate coloca em jogo impactos diretos sobre preços, competitividade e as redes globais de suprimento. E você, o que acha: vale priorizar acordos bilaterais para reduzir tensões ou evitar barreiras que elevem o custo de produtos no dia a dia? Compartilhe sua opinião nos comentários.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

ACM Neto encerra campanha em Salvador com caminhada no Campo Grande e afirma: “A cidade nos conhece”

Resumo: ACM Neto encerra agenda de campanha em Salvador com caminhada pelo Centro Histórico, a dois dias...

Alcolumbre define fim da escala 6×1 no Senado, 2 dias após o 1º turno

Resumo: Senado agenda sessões para discutir a PEC do fim da escala 6x1, com o presidente Davi Alcolumbre. Reuniões marcadas para os dias...

Ilê Aiyê recebe aditivo de mais de R$ 1 milhão para obras de requalificação da sede

Resumo: SUCOP autorizou aditivo de R$ 1.007.574,73 para a reforma parcial da Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Aiyê, no Curuzu, Salvador....