Eleição no Brasil contaminou negociação com EUA, dizem ex-embaixadores

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Brasil

Ao Metrópoles, ex-embaixadores apontam politização de negociação do tarifação entre Brasil e Estados Unidos

Arte / Metrópoles
Trump e Lula

Ex-embaixadores consultados pelo Metrópoles afirmam que o período eleitoral brasileiro impactou as negociações sobre tarifas entre Brasil e Estados Unidos, com o governo Lula adotando uma retôrica de reciprocidade que elevou o tom nas relações bilaterais. O texto recorda uma série de tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil em diferentes momentos, incluindo a alimentação de novas medidas mesmo após longas conversas.

Segundo Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Londres e em Washington, o governo brasileiro politizou internamente a disputa com os EUA em virtude das eleições presidenciais de outubro. Ele diz que o governo americano, sob o ?regra do jogo? mudada, passou a adotar uma abordagem mais agressiva com diversos países. Entretanto, o diplomata alerta que o Brasil precisa separar interesses nacionais de ideologia e partidarismo para evitar prejuízos econômicos.

“O que vale é a lei da selva, cada país defende seus intereses. A gente está misturando política externa com partidarismo e política interna”, observa Barbosa. Ele acrescenta que a estratégia de reciproca pode elevar o tom das relações e, em período eleitoral, pode inviabilizar negociações mais substanciais com Washington.

Entre as tarifas, o Metrópoles lista um conjunto de eventuais alterações desde o início do atual governo dos EUA. Em cinco ocasiões, Trump anunciou taxas contra o Brasil. No Dia da Liberdade, em 2025, já havia sido anunciada uma sobretaxa de 10%. Em 9 de julho de 2025, o governo americano acrescentou mais 40%, totalizando 50% de alíquota. A Suprema Corte derrubou esse patamar em fevereiro de 2026, levando Trump a anunciar uma nova alíquota global de 10% para todos os países. Em junho, o USTR sugeriu uma tarifa de 25% após investigação contra o Brasil, com a medida aprovada e entra em vigor em 22 de julho. Nesta quinta-feira (23/7), novas taxas de 12,5% foram aplicadas a Brasil e a outros países, sob investigação relacionada a trabalho forçado.

“Não é só o Brasil que está sendo afetado pelas tarifas, o mundo inteiro está sendo afetado, não é algo exclusivo do Brasil”, avalia um ex-embaixador consultado pelo Metrópoles.

O quadro aparece ainda mais tenso com a narrativa de que a política comercial brasileira foi singularizada pela administração Lula. Outro ex-embaixador afirma que a opinião pública pode estar sintonizada com uma forma de pressão política no cenário eleitoral, pois a disputa com os EUA é vista como forma de mobilizar apoio interno.

Para Rubens Ricupero, diplomata e ex-embaixador do Brasil em Washington, a postura americana revela um viês político contra o Brasil, dificultando as negociações bilaterais. Ele aponta que as razões apresentadas por autoridades dos EUA sugerem uma falta de boa-fé institucional. Ainda assim, Ricupero admite que o conjunto de tarifas revela um padrão protecionista generalizado, com alvo mais intenso sobre produtos brasileiros.

No Palácio do Planalto, a interpretação é outra: as medidas visam pressionar o governo Lula, com a expectativa de influenciar as eleições, dada a proximidade de eventuais contatados entre Washington e o ex-presidente Bolsonaro. Ainda assim, fontes oficiais destacam que qualquer movimento de reciprocidade será feito com cautela, com consulta ao setor produtivo para evitar prejuízos aos produtores brasileiros.

“Tudo vai ser cuidadoso e vamos encontrar um caminho que possa causar impacto neles (Estados Unidos) mas sem prejudicar nossos produtores e nossos setores”, disse um integrante do governo envolvido nas negociações com Washington.

Conteúdo originalmente publicado pelo Metrópoles e reproduzido pelo PrimeiroJornal.

Palavras-chave: tarifas EUA Brasil, Trump, Lula, diplomacia, Ricupero, Barbosa, Metrópoles

META DESCRIÇÃO: Ex-embaixadores afirmam que o período eleitoral ampliou a politização das tarifas Brasil-EUA, com novas medidas e cautela governamental.

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