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Lápide esquecida de filme com Elke Maravilha vira lenda urbana em BH

Lápide esquecida de filme com Elke Maravilha vira lenda urbana em BH
Lápide esquecida de filme com Elke Maravilha vira lenda urbana em BH

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Minas Gerais

Lápide associada a Herculine Barbin no Bonfim é removida; pesquisadora aponta equívoco histórico e reforça memória e patrimônio

Belo Horizonte – A lápide criada para o curta Copyleft, que contou com a participação de Elke Maravilha, esteve ligada a Herculine Barbin em um jazigo do Cemitério do Bonfim e, após anos de curiosidade, foi removida no dia 16 de julho. A situação gerou debates sobre memória, patrimônio e documentação, já que as informações oficiais indicam que não há registro de Herculine Barbin no cemitério.

A peça tombal foi produzida para o encerramento do filme Copyleft (2015), dirigido por Rodrigo Carneiro, que adapta a obra Testo Junkie, de Paul Preciado. Segundo o cineasta, o enredo traz uma situação simbólica na qual o personagem participa de seu próprio enterro, encontrando o túmulo com a placa dedicada a Herculine Barbin.

A pesquisadora Luisa Roedel, antropóloga e arqueóloga, investigou o caso em 2012, reunindo evidências documentais que comprovavam a existência da lápide, mas que não correspondia ao sepultamento real de Herculine Barbin, que viveu e faleceu na França, no século XIX. A partir de registros, a pesquisadora destacou a importância de compreender não apenas o objeto, mas os silêncios dos arquivos e os limites da documentação oficial.

Roedel aponta que o episódio permanece relevante justamente pela reflexão que provoca: os cemitérios são “verdadeiros arquivos da sociedade”, registrando disputas de memória, formas de reconhecimento e processos de invisibilização que persistem no presente. Ela enfatiza que, na ciência, responder uma pergunta pode abrir outras questões, especialmente sobre memória e políticas da memória.

Em entrevista ao Metrópoles, veículo parceiro do PrimeiroJornal, o cineasta Rodrigo Carneiro disse que a lápide foi esquecida pela produção durante as filmagens e que a repercussão ganhou vida própria, alimentando a lenda urbana de BH. A prefeitura de Belo Horizonte confirmou que não há nenhum registro oficial no acervo do Bonfim atribuindo o jazigo a Herculine Barbin.

Além do episódio, o Cemitério do Bonfim é apresentado pela historiadora Marcelina das Graças de Almeida como um polo de memória, arte e pesquisa. Visitas guiadas, realizadas desde 2012 em parceria com a Fundação de Parques, destacam tombos históricos e o papel dos cemitérios na compreensão da história da cidade. Para Marcelina, cada túmulo reserva histórias que ajudam a compreender a trajetória de Belo Horizonte.

Túmulo misterioso em BH relacionado a Herculine Barbin
Túmulo misterioso no Cemitério do Bonfim

Crédito: Luísa Roedel / Arquivo Pessoal

Túmulo com a placa removida
Túmulo com a placa removida

Crédito: Metrópoles

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