Mendonça vê risco de vazamento em inquérito sobre Jaques Wagner

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça manifestou preocupação com o risco de vazamento de informações em investigações que envolvem o senador Jaques Wagner (PT-BA) e uma rede ligada ao Banco Master, no âmbito do Caso Master. A posição foi expressa em meio à decisão do STF que autorizou o acesso a dados monitorados pela Polícia Federal (PF) para as diligências pertinentes ao caso.

Ministro André Mendonça do STF -- Metrópoles
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O STF derrubou o sigilo da ação que trata das possíveis ligações entre o senador Jaques Wagner e o Banco Master, de Daniel Vorcaro, abrindo caminho para o prosseguimento das diligências da PF. Mendonça ressaltou que a liberação de informações sensíveis aumenta o risco de vazamento e de interferência externa nas investigações.

Em trecho dos documentos, o ministro descreve o episódio como “agudo” e aponta indícios de que os alvos da operação teriam acesso antecipado a informações sigilosas, o que, na avaliação dele, já comprometeria diligências realizadas em fases anteriores.

De acordo com os documentos, no dia 9 de junho de 2026, exatamente o mesmo dia em que a PF protocola os pedidos de quebra de sigilo e de monitoramento, um dos investigados pediu uma audiência no gabinete de Mendonça. O envolvido seria o próprio Wagner, o que chamou a atenção do relator pela coincidência temporal com a distribuição oficial de algumas representações formuladas pela PF.

Operação da PF — Jaques Wagner foi alvo da PF em 18 de junho. Segundo a corporação, o senador é acusado de ter recebido favorecimentos indevidos, incluindo um pedido de compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador ao ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima. Wagner afirma que solicitou a transação ao empresário para, posteriormente, recomprar o imóvel para a filha.

Em 19 de junho, foi apresentada a escritura de venda em cartório na comarca de Camaçari. A transação, no entanto, foi barrada ao ordenamento do ministro-relator do Caso Master, André Mendonça, conforme o andamento do processo.

Alvos autorizados — Mendonça autorizou que os seguintes envolvidos fossem alvo da operação, conforme os documentos da PF: Jaques Wagner (senador); Augusto Ferreira Lima (ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro); Eduardo Mendonça Sodré Martins (identificado pela PF como enteado de Wagner); David Lopes Monteiro (operador ligado ao núcleo jurídico-financeiro associado ao Banco Master); Guilherme Henrique Sodré Martins (conhecido como “tio Guiga” e apontado como pessoa de confiança de Wagner); Andréa Lima Novaes (diretora da PKL ONE PARTICIPAÇÕES S.A. e prima de Augusto Lima).

Estratégias de contrainteligência — Os documentos da PF citados pelo ministro descrevem táticas para evitar a produção de provas, entre elas:

  • Comunicações efêmeras: uso frequente de chamadas de voz, áudios e mensagens temporárias para reduzir a rastreabilidade;
  • Linguagem cifrada: expressões como “A altura do vão é 2,45m” interpretadas como referência ao valor de R$ 2,45 milhões de um apartamento…
  • Monitoramento de investigadores: suspeita de que o grupo teria mecanismos para antecipar os passos da Polícia Federal.

As informações também reiteram que a PF aponta indícios de que Wagner recebeu favorecimentos e que a operação buscava esclarecer relações entre o senador e o Banco Master, com base em diligências já autorizadas pelo STF.

Crédito: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

PALAVRAS-CHAVE: Mendonça STF, Jaques Wagner, Banco Master, PF, Caso Master, vaza mento, audiência, contrainteligência

META DESCRIÇÃO: Mendonça alerta sobre risco de vazamento em apuração envolvendo Wagner e o Banco Master, após coincidência entre pedido de audiência e diligências da PF.

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