A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre itens exportados pelo Brasil coloca o tema no centro da corrida presidencial de 2026, com Lula e Bolsonaro usando a medida para moldar narrativas políticas, enquanto o Itamaraty tenta separar a política externa da disputa interna.


O conjunto de itens cobertos pela sobretaxa não inclui setores-chave como carne, café e suco de laranja. A lista foi definida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) após uma investigação sobre políticas brasileiras que, segundo Washington, prejudicam o comércio. A previsão é de que a sanção entre em vigor em 22 de julho.
Chamada de “Tariflávio” por aliados de Lula, a estratégia de campanha pretende explorar a narrativa de que a medida é uma reação política, vinculando-a a decisões da chamada “família Bolsonaro” no Brasil. Ao mesmo tempo, a equipe de Lula já trabalha para desvincular a política externa de ações da campanha e enfatizar impactos econômicos da sobretaxa.
Do lado de Flávio Bolsonaro, a leitura é outra: a sobretaxa seria consequência da condução da política externa pelo governo do PT. A expressão “Partido do Tarifaçao” deve ganhar mais espaço, com o senador enfatizando que atuou para adiar ou evitar a implementação das tarifas e associando o PT a esse desgaste.
No radar interno, aliados de Lula destacam que Flávio vive um período de desgaste e reconhecem, em conversas privadas, que a decisão dos EUA chega em um momento tenso para o senator, marcado por controvérsias envolvendo aliados e por tensões políticas no Brasil.
Alertas da Quaest para a campanha de Flávio apontam: Lula lidera o primeiro turno com 40% versus 28% de Flávio; no segundo turno, 45% a 37%; entre independentes, 30% para Lula contra 15% de Flávio; a rejeição a Flávio sobe de 52% para 57%, enquanto a rejeição a Lula cai de 55% para 50%; e a parcela de eleitores que dizem ter voto definido em Flávio recua de 70% para 62% em um mês.
Na véspera, o PT orientou a militância a usar as redes sociais para explorar a temática, com o objetivo de ligar a origem da pressão externa à atuação da família Bolsonaro e de seus aliados.
E você, qual é a leitura que faz sobre esse embate entre economia, política externa e as estratégias de campanha? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe sua visão sobre como essa cobrança pode influenciar as próximas eleições no Brasil.
