Venezuela ainda não tem caminho da reconstrução um mês após terremotos

Escrito por: Diógenes Cunha

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Terremotos que abalaram a Venezuela completam um mês nesta sexta-feira, enquanto país tenta se reerguer e encontrar vítimas da tragédia

Complexo habitacional, em Caracas, Venezuela, após o terremoto de magnitude 7,2 atingir o país e outras regiões do Caribe

Um mês após dois terremotos devastadores atingirem a Venezuela, o país enfrenta o desafio de reconstrução das áreas mais atingidas e continua a busca por vítimas. As informações indicam que as regiões de maior impacto, incluindo La Guaira, permanecem sob monitoramento das autoridades e equipes de socorro.

O governo interino de Delcy Rodríguez estuda saídas para a recuperação de moradias e infraestrutura por meio do Plan Venezuela Renace, lançado em 7 de julho com foco na reconstrução de residências e infraestrutura afetadas pelos tremores.

O Fundo Monetário Internacional liberou, em caráter emergencial, US$ 346 milhões para a implementação do plano. O montante, pertencente ao país, ficou bloqueado desde 2019 em consequência de sanções internacionais impostas à Venezuela, e agora visa acelerar a recuperação das áreas devastadas.

A operação de reconstrução encontra cobrança de recursos: o Banco Mundial estima danos totais de US$ 19,6 bilhões, distribuídos entre moradias (US$ 9,3 bilhões), infraestrutura (US$ 5,2 bilhões) e edifícios não residenciais (US$ 5 bilhões). A projeção aponta um prazo de 5 a 10 anos para a conclusão, dependendo de investimentos públicos e privados e de um ambiente estável que incentive a participação do setor privado, inclusive no setor petrolífero.

Após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, o governo interino venezuelano promoveu concessões alinhadas aos interesses dos Estados Unidos, que pretendem manter presença no país com foco no petróleo. Conforme informações do Financial Times, a parceria entre os dois países gerou, de janeiro até o presente, US$ 13 bilhões para os EUA — valor próximo ao total estimado pelo Banco Mundial para a reconstrução venezuelana.

Os números da tragédia (até 23/7)

  • 5.398 mortes
  • 16.740 feridos
  • 6.462 resgatados com vida
  • 23.335 pessoas vivendo em acampamentos
  • 17.907 afetados
  • 856 edifícios atingidos
  • 190 instalações colapsadas
  • 44.298 pacientes atendidos
  • Cerca de 30 mil desaparecidos

Incertezas continuam

Enquanto a reconstrução é discutida entre governo e organismos internacionais, famílias venezuelanas permanecem sem notícias de parentes desaparecidos desde junho. Jacqueline Lamus, cabeleireira, busca diariamente por Jhonattan Lamus, deportado pelos EUA e encaminhado à região mais atingida, La Guaira, pouco antes dos tremores. Publicações em WhatsApp mesclam relatos de trabalho com mensagens que tentam manter a esperança de que Jhonnatan seja encontrado com vida, mesmo sem novos sinais de sobreviventes desde 2 de julho.

O governo venezuelano não divulga números oficiais sobre paradeiros. Dados usados por órgãos da ONU e por organizações da sociedade civil surgem de uma plataforma criada após os tremores para apoiar as buscas. No site Desaparecidos Terremotos Venezuela, mais de 29 mil pessoas seguem registradas como desaparecidas.

Famílias continuam aguardando avanços, enquanto o debate sobre o futuro econômico e político do país persiste e influencia os planos de recuperação e a participação do setor privado no território venezuelano.

Crédito: Cem Tekkesinoglu/Anadolu via Getty Images

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