Diversos países foram taxados pelos EUA ao fim de uma investigação sobre trabalho forçado. Tarifas variam de 10% a 12,5%

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova taxa cobrindo importações de cerca de 80 países, incluindo o Brasil, como desdobramento de uma investigação sobre trabalho forçado. As tarifas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor nesta sexta-feira (24/7).
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou as justificativas de Washington como “sem fundamentos” e disse que buscará esclarecimentos. Os 27 países da União Europeia receberão uma tarifa de 10%.
“Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas, temos condições de trabalho muito boas para nossos empregados. Portanto, essa justificativa realmente não tem fundamento”, afirmou à Reuters durante reunião da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Manila.
Na Noruega, o ministro das Relações Exteriores classificou as taxas como “descabidas”. Segundo Espen Barth Eide, 67% das exportações do país serão afetadas. “Discordamos profundamente de toda essa utilização de tarifas que os EUA introduziram contra nós e vários outros países”, destacou à NRK.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que não hesitará em defender os interesses internos, incluindo possíveis medidas retaliatórias. “Se essas tarifas ou outras medidas entrarem em vigor, há uma série de coisas que podemos fazer”, afirmou Carney.
A Nova Zelândia também reagiu com indignação e afirmou que busca novos parceiros comerciais. “A investigação dos EUA não forneceu evidências significativas para sustentar as alegações em relação ao trabalho forçado. Tarifas não são o caminho – elas aumentam custos e incerteza para as empresas”, explicou o primeiro-ministro Christopher Luxon pelas redes sociais.
Brasil promete acionar reciprocidade: “Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o governo por meio de nota à imprensa.
A medida norte-americana foi divulgada nesta quinta-feira (23/7) pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e trata da investigação contra países que, segundo o órgão fiscalizador norte-americano, falharam no combate de mercadorias fabricadas com trabalho forçado. As novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira (24/7) e variam entre 10% e 12,5%; o Brasil está no grupo dos que receberam a maior tarifa.
Entre as milas de reação, o governo brasileiro confirmou a intenção de recorrer aos mecanismos de reciprocidade para defender seus interesses no cenário internacional.
Leia também: cobertura internacional sobre as medidas e impactos para o comércio global.
