Dívida dos EUA atinge recorde com guerra, tarifas e cortes de impostos para ricos

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo
Dívida pública dos EUA atinge recorde de US$ 40 trilhões, impulsionada por cortes de impostos aos ricos, inflação de conflitos no Oriente Médio e tarifas de importação. Economistas citados pela Agência Brasil apontam gastos militares elevados e juros da dívida em US$ 1,1 trilhão. Mesmo diante do montante, especialistas afirmam não haver insolvência; o dólar e o papel do Fed sustentam pagamento. Tesouro anuncia expansão de compra de títulos; impacto global pode pressionar juros no Brasil.

A dívida pública dos Estados Unidos atingiu US$ 40 trilhões, um recorde histórico, impulsionada por uma combinação de fatores citados por economistas ouvidos pela Agência Brasil, entre eles cortes de impostos para os mais ricos, inflação provocada por conflitos no Oriente Médio e tarifas sobre importações. O montante é acompanhado de gastos militares próximos de US$ 1 trilhão e de pagamentos de juros da dívida que somam US$ 1,1 trilhão, números que, segundo os especialistas, ajudam a explicar o peso financeiro atual do país.

Entre as causas apontadas para o aumento dos juros, destacam-se a inflação decorrente da guerra e o “risco Trump” associado a uma política externa agressiva que gerou incertezas no mercado, incluindo disputas tarifárias com o Canadá. Os analistas ressaltam que essa política tende a pressionar as taxas cobradas pelos títulos do Tesouro americano.

Apesar do montante expressivo, economistas consultados asseguram que os EUA não enfrentam risco de insolvência. Eles destacam a capacidade do governo de emitir moeda e o papel do dólar como principal reserva monetária global. “Um governo assim não quebra contra a vontade. Se o mercado não quiser esses títulos, o FED pode comprá-los”, explicou o professor Pedro Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, citando ainda histórico de políticas de suporte ao crédito.

Logo após o anúncio da dívida pública recorde, a Secretaria do Tesouro dos EUA informou que as operações de compra de títulos no mercado vão crescer, passando de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro, em uma jogada de política monetária para sustentar a liquidez e conter pressões de juros.

Para Pedro Faria, doutor em História pela UFMG e membro do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, o valor de US$ 40 trilhões não, por si só, indica a capacidade de pagamento do país. “A gente sempre compara com o tamanho do país e com a realidade econômica ao redor. É uma realidade de que as grandes economias desenvolvidas têm déficits desde 2008”, disse à Agência Brasil, parceiro do PrimeiroJornal.

Risco de insolvência não é visto como provável e especialistas destacam que a dinâmica fiscal dos EUA tende a influenciar políticas macroeconômicas globais. Enquanto o cenário norte-americano segue sendo analisado, especialistas alertam que mudanças na trajetória da dívida podem ter impactos indiretos sobre economias emergentes, como o Brasil, especialmente no que diz respeito à manutenção de altas taxas de juros para conter pressões inflacionárias e atrair capitais.

Resumo jornalístico
Juros dos títulos do Tesouro dos EUA sobem e aguçam atenções sobre dívida pública; especialistas afirmam que América mantém confiança na capacidade de pagamento, com a maior parte da dívida sob controle doméstico. CBO projeta dívida em US$ 40 trilhões até 2027; inflação e demanda por juros altos ajudam a explicar o movimento. Risco de default seria político; dados indicam equilíbrio entre dívida e PIB.

Brasília – Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA voltaram a subir, em meio a avaliações sobre a dinâmica da dívida pública e o teto do orçamento. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os títulos do Tesouro dos EUA são vistos como o ativo mais seguro do mundo. O professor Pedro Bastos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirmou que não há desconfiança sobre a capacidade de pagamento da dívida norte-americana. “Os estrangeiros continuam comprando. O que subiu foi o preço cobrado, não a recusa em comprar”, disse ele, destacando que dois terços da dívida negociada estão em mãos domésticas nos EUA e que US$ 4,5 trilhões estão sob a gestão da FED, o que reduz riscos de insolvência.

Além disso, o texto aponta que US$ 8 trilhões da dívida permanecem nas mãos do próprio governo, com US$ 32 trilhões no mercado, o que ajuda a sustentar a percepção de solvência. O mercado detém perto de 100% do PIB em dívida, um patamar próximo ao recorde de 106% apurado em 1946, ao término da guerra, segundo o especialista da Unicamp.

O único risco de calote dos EUA seria político, caso o Congresso se recuse a autorizar o aumento do teto da dívida. Contudo, o também professor Pedro Paulo Zahluth Bastos alerta para o peso crescente dos juros. Em formato de fala, ele reforça que a inflação — impulsionada pelo petróleo associado a conflitos no Oriente Médio e por tarifas comerciais — é a principal força por trás dos movimentos de juros.

“O único risco ligado à dívida hoje é o de juros longos mais altos. Mas a causa imediata não é o tamanho da dívida. É a inflação, puxada pelo petróleo do conflito no Oriente Médio e pelas tarifas”,

Em apenas cinco meses, a dívida dos EUA cresceu US$ 1 trilhão, superando as previsões de analistas. O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estimava que a dívida chegaria a US$ 40 trilhões apenas em 2027.

O texto também aborda a existência de uma seção intitulada Corte de imposto no topo, sinalizando debates adicionais sobre medidas macroeconômicas que poderiam impactar o equilíbrio entre dívida e crescimento.

Brasília (DF), 09/04/2025 - Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Foto: Antoninho Perri/SEC Unicamp

Crédito: Antoninho Perri/SEC Unicamp

Resumo: Pacote de cortes de impostos para os ricos, aprovado pelo governo de Donald Trump em 2025, projeta elevar o déficit dos EUA em US$ 4,7 trilhões em 10 anos e reduzir em US$ 1 trilhão os gastos com saúde. Economistas destacam aumento da concentração de renda e o peso da dívida pública; o cenário também acompanha juros altos em títulos públicos e discussões sobre liquidez. Palavras-chave: Trump, impostos, déficit, dívida pública, economia dos EUA, concentração de renda.

Estados Unidos — Em 2025, o governo de Donald Trump aprovou um pacote de cortes de impostos voltado aos mais ricos, com previsão de elevar o déficit público em US$ 4,7 trilhões nos próximos 10 anos, ao mesmo tempo em que reduziu gastos com saúde em US$ 1 trilhão nesse período. O cenário é analisado por economistas como Pedro Bastos (Unicamp) e Pedro Faria (Instituto Economias), que apontam para maior concentração de renda e aumento da dívida pública.

“A política de reduzir tributos sobre lucros e rendimentos para os ricos tende a ampliar a concentração de renda, e a dívida recorde surge como sintoma dessa distribuição desigual”, apontou o professor da Unicamp Pedro Bastos. Ele também destacou que a carga tributária nos EUA fica em torno de 25% do PIB, frente a 34% da média da OCDE.

“A receita do imposto sobre lucros caiu 23% neste ano fiscal. Já os juros vão para quem tem títulos: fundos, bancos e as famílias mais ricas. O 1% mais rico detém metade das ações do país”,

O economista ressaltou ainda que os EUA não gastam excessivamente, mas arrecadam menos. A carga tributária do país está em cerca de 25% do PIB, contra 34% na média da OCDE, o que contribui para o déficit anunciado e para o acúmulo de dívida pública.

Risco Trump

Para o especialista Pedro Faria, do Instituto Economias, a maior preocupação para o Tesouro é a tendência global de redução do uso de títulos dos EUA como instrumento de liquidez pelos governos e empresas. “Diversos governos têm diminuído seus estoques de Treasuries, como Brasil e China, por avaliarem a política econômica da Casa Branca como pouco previsível. Há receio de sanções ou congelamento de ativos”, disse.

Para Bastos, os juros mais altos cobrados pelos títulos de longo prazo refletem a resposta do mercado aos ataques aos fundamentos que conferem confiança aos papéis: um FED autônomo, tribunais independentes e aliados tratados como aliados. “Se a dívida se tornar problema, não será pelo tamanho em si, mas pela política que enfraqueceu o que tornava esses ativos desejados”, completou.

Mesmo com o ambiente de juros elevados, Bastos afirma que o mercado continua investindo em títulos do Tesouro dos EUA. Ele cita ainda que a China reduziu significativamente seu estoque de títulos americanos nos últimos anos—de cerca de US$ 1,3 trilhão em 2013 para US$ 700 bilhões hoje—e que o dólar ainda representa grande parte das reservas internacionais (57%), seguido pelo euro (cerca de 20%) e pelo yuan (aproximadamente 2%).

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