Resumo: Bahia apresenta o Plano de Ações de Saúde para Enfrentamento ao El Niño (2026-2027), com investimento de R$ 30,5 milhões em vigilância no semiárido. São 80 municípios prioritários, divididos em três blocos de severidade, com execução de R$ 15,25 milhões já, e ações de monitoramento da água, distribuição de insumos e qualificação do atendimento. Ministério da Saúde informou que apenas 52% dos estados enviaram planos de emergência climática.
Bahia — A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) estruturou e enviou, em agosto, o Plano de Ações de Saúde para Enfrentamento ao El Niño para o biênio 2026/2027, com investimento total estimado de R$ 30,5 milhões em ações de vigilância no semiárido baiano. A iniciativa é coordenada tecnicamente pelo CIEVS Bahia (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) e pelo Vigidesastres, com o objetivo de organizar a rede estadual de saúde nas etapas de preparo, alerta, resposta e recuperação diante dos riscos climáticos e sanitários previstos.
Segundo o Ministério da Saúde, durante coletiva nesta quarta-feira, apenas 52% dos estados atenderam à recomendação federal de envio de planos estaduais de emergência climática.
O plano traça um recorte territorial com 80 municípios prioritários no semiárido, selecionados com base no histórico de decretos de emergência, no índice de aridez e na vulnerabilidade de cada região. Esses municípios foram distribuídos em três blocos de severidade: o primeiro reúne 43 municípios na porção Norte do estado, a área de maior criticidade climática; o segundo abrange 29 municípios da macrorregião de saúde Sudoeste; e o terceiro envolve 8 municípios distribuídos entre Centro-Leste, Oeste e Sudoeste.
Do total de R$ 30,5 milhões destinados aos Núcleos Regionais de Saúde (NRS) do semiárido, já foram R$ 15,25 milhões executados, com a outra metade prevista para o fim do exercício.
Entre as populações prioritárias estão comunidades rurais, quilombolas, indígenas e assentadas, além de crianças menores de 5 anos, idosos, gestantes e trabalhadores expostos ao ar livre.
A Bahia enfrenta um histórico de estiagem: cerca de 85,2% do território integra o Semiárido Brasileiro, correspondente a 287 municípios e 7,5 milhões de habitantes. Entre 2015 e 2024, o estado registrou 1.363 decretos de emergência por seca que afetaram 294 municípios e impactaram diretamente cerca de 30 milhões de pessoas.
A avaliação de risco indica que a seca e a estiagem configuram o principal conjunto de ameaças sanitárias, com uma pontuação de 9,4/10; queimadas e arboviroses também aparecem no quadro de vulnerabilidade. Em resposta, o plano prevê o reforço na distribuição de kits de medicamentos e insumos às regionais, monitoramento em tempo real da qualidade da água pelo programa Vigiagua e a qualificação do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e nos hospitais regionais.
Para a operacionalização, o plano utiliza cinco estágios de acionamento do COE Saúde Pública (COE): normalidade (verde), mobilização (amarelo), alerta (laranja), situação de emergência (vermelho) e crise (roxo); o acionamento torna-se obrigatório a partir do estágio de emergência ou mediante decreto municipal.

