Resumo: O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, fechou acordo de colaboração com a PGR no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo informações da Folha de S.Paulo, parceiro do PrimeiroJornal, a cooperação aponta uso de fundos para ocultar propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com operações offshore. O acordo prevê multa de R$ 40 milhões, envio ao STF para homologação e possível recuperação de ativos, com a Polícia Federal participando das tratativas iniciais.
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, firmou um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da Operação Compliance Zero, incluindo compromisso de prestar informações à Justiça em troca de benefícios processuais. O caso envolve a utilização de fundos administrados pela gestora para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas.
De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, parceiro do PrimeiroJornal, Mansur detalhou a participação da Reag Investimentos e de fundos de investimento nas operações e identificou pessoas que teriam atuado como laranjas de Vorcaro, intermediários usados para ocultar quem de fato controlava as movimentações financeiras. A colaboração também traz informações sobre a movimentação de recursos, valores enviados ao exterior e caminhos para a recuperação do dinheiro.
Parte dos recursos investigados, segundo Mansur, está em offshore, em países com baixa tributação, conhecidos como paraísos fiscais. A cooperação permite a avaliação de que parte desses valores possa retornar ao país sem a necessidade de acordos com autoridades estrangeiras, desde que os trâmites legais se consolidem.
Com a colaboração, investigadores avaliam que esses valores poderão ser devolvidos ao Brasil sem depender de determinados entendimentos com autoridades de outros países. Mansur também se comprometeu a pagar uma multa de R$ 40 milhões.
O acordo foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações sobre o Banco Master, e ainda precisa ser homologado. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não acompanhou as tratativas seguintes.
Mansur havia apresentado a proposta de cooperação à PGR em agosto. Em 2 de setembro, a instituição assinou o acordo e o encaminhou a Mendonça. A pauta marca a primeira deliberação de um acordo de colaboração pela PGR no contexto dessas apurações.
