IPCA de agosto fecha em -0,32%, menor taxa desde 2022, com o Bônus de Itaipu puxando a inflação para baixo.
Quatro dos nove grupos registraram deflação em agosto; habitação teve a queda mais acentuada.
Energia elétrica contribuíu significativamente para o recuo, enquanto o mercado revisa perspectivas para o fim de 2025.
IBGE aponta impacto do bônus na conta de luz; leitura completa indica efeitos setoriais sobre o custo de vida.
O IPCA de agosto fechou em -0,32%, influenciado pela queda de preços de energia elétrica proporcionada pelo Bônus de Itaipu e pela redução de preços de alimentos e de transportes, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em julho, o IPCA foi de 0,07%. Em agosto de 2025, registrou -0,11%, também conforme o IBGE.
A variação negativa de agosto fez o índice acumular 4,22% em 12 meses — o menor valor desde março de 2026 (4,14%). Em julho, a soma havia ficado em 4,44%.
O IPCA de agosto ficou abaixo das projeções do mercado. Conforme o Boletim Focus da última terça-feira (8), a inflação de agosto era estimada em -0,23%. Para o fim de 2026, a expectativa do mercado é de 5%.
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual acima ou abaixo, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%.
Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses anteriores, e não apenas ao desempenho ao fim do ano; a meta é considerada descumprida se a inflação ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.
Influências
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação em agosto.
- Alimentação e bebidas: -0,34% (-0,07 p.p.);
- Habitação: -1,87% (-0,29 p.p.);
- Artigos de residência: 0,64% (0,02 p.p.);
- Vestuário: 0,12% (0,00 p.p.);
- Transportes: -0,86% (-0,17 p.p.);
- Saúde e cuidados pessoais: 0,23% (0,03 p.p.);
- Despesas pessoais: 1,30% (0,13 p.p.);
- Educação: 0,47% (0,03 p.p.);
- Comunicação: -0,09% (0,00 p.p.).
O grupo Habitação registrou a deflação mais profunda para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.
Bônus de Itaipu
A explicação para o recuo está no Bônus de Itaipu, desconto aplicado na conta de luz do mês, que caiu em média 7,63%.
O bônus corresponde à devolução do saldo positivo da operação de comercialização de energia da hidrelétrica Itaipu, convertido em crédito para as contas de energia.
De todo o IPCA de agosto, a energia elétrica foi o principal fator a puxar o índice para baixo, registrando a menor variação para agosto desde o início do Plano Real.
“Não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir.”
Alimentação
A queda de preços em alimentação e bebidas foi a terceira consecutiva. Em julho, o grupo recuou 0,67%; em junho, 0,24%.
As principais quedas no grupo foram:
- batata-inglesa: -19,89%;
- cenoura: -11,22%;
- cebola: -11,07%;
- tomate: -10,94%;
- ovo de galinha: -4,15%;
Resumo: IBGE divulga o IPCA de agosto no Brasil, com destaques negativos em alimentos e passagens aéreas, impactos positivos em combustíveis e uma difusão de preços em alta. O levantamento abrange 377 subitens, em 16 regiões, e aponta leitura para famílias entre 1 e 40 salários mínimos, com atualização às 10h22.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou, neste mês, o IPCA de agosto, indicador oficial de inflação para as famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O relatório demonstra variação moderada do índice, com ganhos e perdas distribuídos entre grupos de itens e uma divulgação que ocorreu às 10h22.
No grupo transportes, as passagens aéreas recuíram 13,17%, contribuindo com uma redução de -0,11 p.p. no IPCA. A queda de tarifas de viagem ficou atrás apenas da energia da conta de luz, que apresentou o maior peso negativo entre os componentes.
Entre os combustíveis, houve alivio no custo total da inflação: etanol caiu -3,95%, óleo diesel -0,80% e gasolina -0,59%gás veicular avançou 2,62%.
O grupo transporte por aplicativo também recuou, em -4,57%, com o IBGE observando que parte da variação de julho acabou sendo incorporada de forma indevida no mês de agosto.
O índice de difusão, que indica o quanto a inflação se espalha entre os itens, ficou em 54% em agosto, ante 50% em julho. O IBGE explica a queda de preços no conjunto de itens monitorados e o efeito da demanda sobre serviços.
O IPCA é decomposto em dois grandes grupos: serviços, mais sensíveis às oscilações da economia, e itens monitorados, que costumam acompanhar contratos, como a conta de luz. Em agosto, o grupo serviços subiu apenas 0,03%, enquanto o grupo monitorados, que inclui energia elétrica, recuou -1,26%.
O instituto detalha que o IPCA abrange o custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e envolve a coleta de preços de 377 subitens (produtos e serviços) em 16 regiões. Entre as áreas monitoradas, destacam-se as 10 regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre), além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Atualização: matéria atualizada às 10h22.
