Mendonça mantém sigilo sobre dados do filme “Dark Horse” e apuração que envolve Jaques Wagner

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: O ministro André Mendonça levantou o sigilo de 14 investigações ligadas ao escândalo do Banco Master no STF, a pedido do presidente Edson Fachin, na noite de quinta-feira (10). Entre os desdobramentos, aparecem apurações sobre repasses para o filme Dark Horse, ligações com o grupo “A Turma” e a cooptação de influenciadores (Projeto DV). Informações já tornadas públicas também envolvem a relação entre autoridades e Vorcaro.

O ministro André Mendonça, conforme determinação do presidente do STF, Edson Fachin, levantou o sigilo de várias investigações ligadas ao escândalo do Banco Master na noite de quinta-feira (10). Mantidas em segredo, ao menos parte, estão a petição que investiga o repasse de recursos por Daniel Vorcaro a um fundo de investimento nos Estados Unidos para financiar o filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O próprio Fachin autorizou a remoção do sigilo, mas determinou que Mendonça preserve em segredo informações que possam atrapalhar investigações futuras ou diligências do caso.

Nesse contexto, Mendonça manteve ocultas informações sobre o repasse para o filme e também a petição que examina a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Também permanece sigilosa a apuração da Polícia Federal sobre Antônio Rueda e ACM Neto, revelada no relatório de inteligência encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes.

Os documentos relacionados à relação entre Alexandre de Moraes e Vorcaro compõem uma lista de processos que se tornaram públicos após a decisão de Mendonça. Contudo, esses documentos já tinham sido liberados na semana anterior pelo próprio ministro.

Na noite desta quinta, Mendonça abriu publicamente 14 procedimentos sob sua relatoria no STF. Dentre eles, destacam-se dois inquéritos que detalham a engenharia financeira por trás do rombo bilionário do Banco Master.

O inquérito 5026, ligado à Operação Compliance Zero, foi criado quando o caso ainda tramitava sob a relatoria de Dias Toffoli, que determinou a remessa do inquérito que tramitava na Justiça Federal contra Daniel Vorcaro e outros suspeitos.

Entre as ramificações, cinco inquéritos tratam direta ou indiretamente de investigações envolvendo o grupo conhecido como “A Turma”, utilizado por Vorcaro para intimidar adversários e pressionar rivais.

Outro inquérito, o chamado “Projeto DV”, apura a cooptação de influenciadores para moldar a percepção pública sobre Vorcaro e o Banco Master, também com o sigilo levantado.

O material também traz informações sobre pagamentos de viagens e jantares internacionais feitos por Vorcaro a dois servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Banco Master, conforme relatórios da Polícia Federal encaminhados ao STF.

Resumo jornalístico: PF aponta que Daniel Vorcaro financiou parte da viagem de Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, para Paris e que o ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, viajou à Disney, nos Estados Unidos. A apuração envolve diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Edson Fachin decidiu sobre as investigações do Banco Master às vésperas da sessão do STF em 15 de setembro, enquanto a PGR questiona parte do relatório e pediu nulidade. O levantamento de sigilo visa ampliar o acesso às informações pela turma.

Paris é citada como destino de despesas na investigação em curso sobre o Banco Master, segundo a Polícia Federal. Conforme apuração, Daniel Vorcaro financiou parte da viagem de Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, e da esposa, para a cidade francesa, e também custeou a ida do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza à Disney nos Estados Unidos. A PF afirma que Vorcaro organizou reservas e tratou diretamente com prestadores de serviço no exterior, chegando a encaminhar contatos para concluir as programações.

Edson Fachin, relator no Supremo Tribunal Federal, decidiu sobre as investigações do Banco Master pouco antes da sessão extraordinária marcada para 15 de setembro. O pleno deverá analisar a controvérsia envolvendo o relatório da Polícia Federal que revelou diálogos entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, conforme apurado pela PF. A PGR questiona a validade dessa parte da investigação e pediu a nulidade do relatório.

Segundo a PF, o levantamento de sigilo, na visão de Fachin, teve como objetivo permitir que os demais integrantes do STF tenham acesso ao conjunto de informações relacionadas ao caso antes da sessão, ampliando o debate sobre o material reunido.

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