Salvador — Divulgada nesta quinta-feira (24), a segunda edição da pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) em parceria com a Ipsos-Ipec, traz dados sobre o tempo médio de deslocamento na capital baiana e em outras grandes cidades do Brasil. O estudo ouviu 3.500 internautas com 16 anos ou mais em dez capitais brasileiras, revelando que o tempo médio nas cidades pesquisadas ficou em 2 horas e 5 minutos por dia.
Entre as capitais avaliadas, Salvador está entre as com maior tempo médio diário gasto no trânsito. O ranking aponta Fortaleza com 2h18, Rio de Janeiro com 2h10, Recife com 2h07, São Paulo com 2h07, e Manaus empatada com Salvador, ambas em 2h05.
Na comparação com 2025, Salvador registrou aumento de três minutos no tempo médio de deslocamento. O mesmo crescimento foi observado em Porto Alegre.
TRANSPORTE COLETIVO O levantamento mostra que o tempo de deslocamento é ainda maior entre os usuários de transporte coletivo. Nas dez capitais, quem utiliza principalmente esse meio permanece, em média, 2h17 por dia, 30 minutos a mais do que quem recorre a meios individuais. Ônibus, BRT ou Move são citados como principais modos, com 35% das respostas. Em seguida aparece o carro particular, com 18%. Carros de aplicativo, metrô e deslocamentos a pé registraram 8% cada.
Considerando os meios de transporte utilizados como principal opção, 54% dos entrevistados recorrem ao transporte coletivo, enquanto 44% utilizam prioritariamente alternativas individuais.
CUSTO DAS PASSAGENS O valor das tarifas também é apontado como fator limitante para atividades cotidianas. Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, 63% afirmam que sempre ou às vezes deixam de visitar familiares ou amigos em outros bairros por causa do preço da passagem. O custo também interfere no acesso a lazer, como parques e cinemas, segundo 59% dos entrevistados; 51% nas consultas médicas e exames; 44% na busca por emprego; e 33% no deslocamento para escolas ou universidades.
O impacto é maior entre pessoas de menor renda e jovens. Entre os respondentes com renda de até dois salários mínimos, 69% citam deixar de visitar amigos ou familiares, e 67% reduzem atividades de lazer. Na busca por emprego, o índice chega a 54% entre jovens de 16 a 24 anos e integrantes das classes D e E. Em relação à tarifa zero, 25% dizem que a medida poderia trazer benefícios caso fosse acompanhada de melhorias na qualidade e na frequência do serviço.
Resumo: Pesquisa com moradores de 10 capitais brasileiras aponta alto sentimento de insegurança no deslocamento urbano: 80% se sentem pouco ou nada seguros ao atravessar ruas; Rio de Janeiro lidera com 87%, Goiânia registra 62%. O estudo ocorreu de 1° a 20 de julho de 2026, com 95% de confiança e margens de erro entre 2 e 6 pontos. Também aponta que 22% associam a gratuidade à ampliação do acesso ao transporte.
Capitais pesquisadas A pesquisa, realizada entre 1º e 20 de julho de 2026, ouviu moradores de 10 capitais brasileiras — Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia — para avaliar a percepção de segurança no deslocamento urbano e o que envolve atravessar ruas, calçadas, pontes e passarelas.
Resultados principais O levantamento aponta que 80% dos entrevistados se sentem pouco ou nada seguros ao atravessar vias urbanas. Entre as mulheres, esse índice sobe para 85%.
Capitais com maior e menor sensação de insegurança O Rio de Janeiro apresentou o maior percentual de insegurança, com 87%. Belém e Fortaleza aparecem logo em seguida, cada uma com 83%. Goiânia tem o menor registro entre as capitais avaliadas, com 62% relatando sensação de vulnerabilidade.
Variação entre cidades Em Manaus e Porto Alegre, a percepção de insegurança recuou oito pontos percentuais em relação a 2025; nas demais capitais, o indicador permaneceu estável.
Metodologia O estudo foi conduzido por meio de entrevistas online com moradores das capitais citadas, que pertenceram às classes ABCED e residem nas cidades há pelo menos dois anos. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais para a amostra total; para recortes por capital, a margem varia entre 4 e 6 pontos percentuais, conforme o volume de entrevistas.
Transporte e inclusão No campo do transporte, 22% associaram a gratuidade à ampliação do acesso ao transporte e à redução da exclusão social.

