Salvador, BA – Três pessoas foram presas nesta terça-feira, durante a Operação Sem Lastro deflagrada pela Polícia Civil da Bahia para investigar um grupo suspeito de criar e negociar títulos de crédito e recebíveis fraudulentos, incluindo duplicatas falsas.
A ação envolveu oito mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais. Celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos foram apreendidos, conforme a instituição.
Ramo de atuação – Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava empresas do ramo veterinário para realizar operações de compra, venda e armazenamento de rações e insumos, de modo a conferir aparência de regularidade às operações e viabilizar a emissão e negociação de títulos no mercado financeiro.
Perfis dos investigados – A apuração aponta funções distintas entre os suspeitos. O homem preso em Jardim Armação atuaria nas áreas financeira e comercial e seria responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos, incluindo operações de autopagamento com recursos de empresas vinculadas ao grupo para sustentar uma suposta capacidade financeira.
Ainda conforme as investigações, ele apresentou uma carteira de títulos fraudulentos estimada em R$ 17 milhões, mesmo após as primeiras irregularidades terem sido identificadas.
A mulher detida em Jardim das Margaridas atuaria nos setores financeiro e contábil, conforme os autos, inclusive na manipulação de balanços e informações para manter a aparência de solidez econômica das empresas envolvidas.
A terceira investigada, médica veterinária e esposa do principal suspeito, seria responsável por questões patrimoniais e societárias. Entre os elementos apurados está a transferência, em 24 de março de 2026, da totalidade das quotas de uma empresa, avaliada em R$ 1 milhão, para o seu nome, prática associada a uma suposta separação simulada. Registros em redes sociais indicariam a continuidade do relacionamento.
Segundo o delegado José Nélis, responsável pela operação, o esquema teria causado prejuízos a comerciantes e investidores e gerado rumores indevidos sobre títulos que não correspondiam a dívidas reais. A movimentação societária identificada teria sido usada como mecanismo de proteção patrimonial, dificultando a localização de bens.
Os três presos permanecem à disposição da Justiça. A Operação Sem Lastro é coordenada pelo Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), e as investigações devem esclarecer a participação de cada suspeito, acompanhar o fluxo de recursos e identificar possíveis outros envolvidos.

