Extraditado da Argentina para o Brasil, empresário apontado como chefe de organização criminosa de tráfico internacional de armas foi entregue à Justiça Federal na Bahia. O Gaeco/MPF aponta 25 episódios de tráfico e 28 crimes de lavagem de dinheiro; cooperação internacional envolve Paraguai e Argentina. Palavras-chave: extraditado, tráfico internacional de armas, Bahia, Argentina, Paraguai, MPF, Gaeco, lavagem de dinheiro, Dakovo.
Bahia, Brasil – Um dos principais réus da Operação Dakovo foi extraditado da Argentina para o Brasil nesta quarta-feira (9). O empresário, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como líder de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de armas, responde a uma ação penal na Justiça Federal na Bahia.
De acordo com a denúncia do Gaeco/MPF, ele é acusado de integrar e comandar o grupo responsável por 25 episódios de tráfico internacional de armamentos e 28 crimes de lavagem de dinheiro. A investigação aponta ainda que o acusado atuava como sócio-gerente de uma empresa paraguaia usada para importar armas da Europa e da Turquia, que eram introduzidas ilegalmente no território brasileiro.
A apuração também indica que armamentos adquiridos pela empresa foram apreendidos em diferentes estados do país. O esquema, segundo a denúncia, envolvia vendedores, intermediários e militares paraguaios da Dirección de Material Bélico (Dimabel), que teriam facilitado procedimentos para beneficiar as operações.
O réu estava foragido desde a deflagração da Dakovo, em dezembro de 2023. Localizado pela Interpol em fevereiro de 2024, na cidade de Córdoba, na Argentina, ele permaneceu preso até a conclusão do processo de extradição. Inicialmente, ficará custodiado em Mato Grosso do Sul antes de ser encaminhado ao Sistema Penitenciário Federal.
A cooperação internacional continua como parte das investigações. O MPF acompanha 19 pedidos feitos pelo Gaeco, sendo 11 destinados ao Paraguai e oito à Argentina, para obtenção de provas, depoimentos e cumprimento de atos processuais. A apuração remete ainda à apreensão de fuzis de origem croata em Vitória da Conquista, em 2020, revelando uma rede que utilizava empresas de fachada para abastecer o mercado brasileiro.
Até o momento, 28 pessoas foram denunciadas; sete sentenças de primeira instância condenaram 20 réus por crimes ligados à organização criminosa, ao tráfico internacional de armas e à lavagem de dinheiro. A ação envolvendo o empresário extraditado continua tramitando na Justiça Federal baiana.
