Resumo
Operação Giratina da Polícia Civil da Bahia desarticula fraude de recadastramento e transferências de veículos, com 4 prisões e 10 mandados de busca na Região Metropolitana de Salvador e no Ceará. Indícios apontam clonagem de documentos, vistorias irregulares e uso do Renavam para facilitar crédito.
Bahia — A Polícia Civil da Bahia deflagrou nesta terça-feira, 1º, a Operação Giratina para desarticular um esquema suspeito de fraudar procedimentos de recadastramento e transferências de veículos. Ao todo, quatro pessoas foram presas e dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Região Metropolitana de Salvador e no Ceará.
Entre os detidos estão um sargento da Polícia Militar da Bahia, que à época dos fatos estava cedido ao Detran-BA, e dois servidores comissionados que exerciam funções de chefia na 25ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Simões Filho.
O quarto preso é parente de um dos alvos. Durante o cumprimento de mandado de busca na residência dele, foi localizada uma arma de fogo irregular, levando à prisão em flagrante. As ações ocorreram em Madre de Deus (três prisões) e em Simões Filho (uma prisão). Mandados também foram cumpridos em Camaçari e Lauro de Freitas.
No Ceará, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a uma empresa e a pessoas apontadas como envolvidas no esquema. Durante as diligências, foram apreendidos uma pistola, um revólver, aparelhos celulares e documentos que devem contribuir para o avanço da apuração.
A apuração teve início após comunicação encaminhada pelo Detran-BA, decorrente de procedimentos correcionais realizados na 25ª Ciretran de Simões Filho. Os levantamentos identificaram indícios de clonagem documental de veículos, usados por empresas legítimas de estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste como base para a criação de registros falsos na Bahia.
O esquema envolvia a apresentação de documentação falsa, a realização de vistorias, a inserção de dados no sistema Renavam e a emissão de documentos necessários para formalizar transferências. A participação de servidores do órgão nas etapas de vistoria, conferência documental e emissão dos registros é investigada como um dos mecanismos para conferir aparência de legalidade às operações.
Após a inserção dos veículos no sistema, os bens eram usados, em poucos dias, em operações de alienação fiduciária para empresas sediadas no Ceará. A fraude permitia que instituições financeiras concedessem crédito com garantia de veículos clonados, que pertenciam, de fato, a pessoas jurídicas que desconheciam as operações.
O inquérito também apura crimes de inserção de dados falsos em sistemas de informação, falsidade ideológica, corrupção passiva e associação criminosa, com indícios de outros ilícitos praticados em diferentes unidades da Federação.
