Debate sobre saúde mental: equilíbrio entre tratamento médico e suporte espiritual, em Voz Própria.
Psiquiatria, psicoterapia e práticas como yoga e dança aparecem como complemento à fé e à espiritualidade.
Distinguir manifestações culturais/religiosas de transtornos psiquiátricos; importância de avaliação clínica.
Lideranças religiosas podem encaminhar fiéis à avaliação médica; já houve encaminhamentos a psiquiatria.
Em episódio do podcast Voz Própria, o médico psiquiatra André Gordilho discutiu a relação entre tratamentos médicos e apoio espiritual na saúde mental. O debate ressaltou que a medicina e as psicoterapias, aliadas a práticas de bem?estar como yoga e dança, podem atuar de forma complementar aos aspectos religiosos ou culturais de um indivíduo. O especialista chamou a atenção para diferenciar manifestações culturais/religiosas de sinais de transtorno psiquiátrico, como delírios ou alterações de comportamento que ocorram de modo abrupto e fora de contexto, os quais demandam avaliação clínica.
Ele completou que a religião, quando expressa de forma adequada, não é problema; o que importa é o contexto e a qualidade da manifestação. “A própria religião percebe o que é adequado e o que não é. Ter uma manifestação dentro de um local apropriado é uma coisa. Outra é apresentar sintomas de forma abrupta, fora de contexto, o que exige uma avaliação clínica”, explicou o especialista.
O psiquiatra também apontou a responsabilidade das lideranças religiosas no encaminhamento adequado de fiéis. Mães e pais de santo, médiuns e dirigentes de casas espirituais desempenham papel crucial na identificação de casos que demandam intervenção médica. Ele relatou ter recebido pacientes encaminhados por líderes espirituais que perceberam que a demanda do frequentador ultrapassava a esfera espiritual.
“E eu vejo que os centros espiritas, eles têm muito esse olhar, essa percepção, afirmou Gordilho. E já vi também terreiros com essa percepção, de perceber: ‘Olha, você tem que ir no psiquiatra’. Já recebi pacientes encaminhados pela mãe de santo, pelo pai de santo, que percebeu que aquilo ali não estava adequado”, apontou.
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