Vorcaro denuncia pressões para frear delação, temendo pela vida

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma ter sido ameaçado durante transferências após a prisão, entre São Paulo e Brasília e em voo de helicóptero. A Veja cita depoimento ao STF e liga as intimidações à possível menção ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao crescimento do Banco Master.

São Paulo e Brasília foram os cenários de ameaças relatadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro durante transferências realizadas após a prisão, conforme reportagem da revista Veja, baseada em depoimento apresentado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele detalha que as intimidações ocorreram em deslocamentos entre as duas cidades e também durante um translado de helicóptero em Brasília.

Uma das situações descritas ocorreu durante o deslocamento entre cidades, quando Vorcaro diz ter ouvido uma ameaça relacionada à possibilidade de revelar informações sobre uma pessoa apontada como “chefe”. “Nos transportes, desde a primeira vez, não apenas com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte aéreo. E aí, quando eu abro a porta, eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso’”, afirmou.

Já em uma transferência de helicóptero em Brasília, ele relatou ter sido novamente intimidado. De acordo com o relato, um dos agentes teria sugerido que seria mais fácil “jogar ele daqui” enquanto a aeronave estava no ar. “Então, essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela vida. E foi durante todo o trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”, disse Vorcaro.

O empresário associou as supostas intimidações à possibilidade de mencionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma eventual colaboração. Ele afirmou que os dois mantinham uma relação e que Rodrigues teria participado de eventos ligados ao crescimento do Banco Master. Vorcaro também afirmou que tentava apresentar sua versão à PF há cerca de nove meses, mas não obtinha avanço nas conversas.

Segundo Vorcaro, a Procuradoria-Geral da República teria adotado uma postura mais receptiva, demonstrando maior disposição para ouvi-lo na busca de um acordo. O ex-banqueiro disse ainda que pretendia citar “pessoas relevantes do atual governo” e instituições com as quais manteve relações, parte das quais, em sua visão, envolveram situações que ultrapassaram as linhas de moralidade e de ilicitude.

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