
Resumo: São Paulo – A campanha petista intensificou a estratégia de vincular Flávio Bolsonaro a cortes de gastos inspirados no modelo argentino de Milei, buscando transformar esse mote em temor entre eleitores. Em declaração neste domingo (11/10), Lula afirmou que manterá a pressão contra o adversário e comparou as propostas de “tesoura” com as de Milei, sob o argumento de que não se pode deixar o Brasil seguir o caminho da Argentina.
O presidente Lula já havia cobrado explicações sobre onde o opositor pretende aplicar o eventual ajuste de gastos prometido na campanha. Desta vez, ele passou a associar Flávio ao fórmula econômica de Milei, sugerindo que tais medidas atingiriam os mais pobres e os aposentados, levando o povo à miséria. Em fala a jornalistas em São Paulo, ele enfatizou a necessidade de acompanhar de perto esse posicionamento até o fim da temporada eleitoral, sinalizando continuidade da cobrança.
“Vou continuar questionando meu adversário para saber qual tesoura vai fazer, se vai ser igual ao do Milei na Argentina, cortar dinheiro do pobre, do aposentado, e levar o povo à situação de miséria”, disse o presidente na ocasião.
Segundo a leitura de bastidores da campanha, a associação de Flávio ao modelo Milei é vista como ferramenta para transformar promessas de corte de gastos em medo concreto entre eleitores. A estratégia prevê explorar o estrago econômico associado a esse tipo de política para ampliar a vantagem retórica da chapa petista.
Entre as ações da equipe, estão conteúdos com depoimentos de argentinos divulgados pela campanha, além de citar que o presidente argentino mantém relação de apoio ao candidato do PL, tendo participado, em julho, do lançamento de Flávio Bolsonaro em São Paulo. O economista Paulo Guimarães, da Unicamp, também tem estado em contato com integrantes da campanha para debater essa leitura.
Nas redes, o PT tem veiculado vídeos com relatos de argentinos sobre dificuldades econômicas, perda de renda e fome, atribuindo parte da responsabilidade aos cortes promovidos pelo governo Milei. Dados oficiais citados no material indicam que a pobreza na Argentina alcançou 32,3% no primeiro semestre de 2026, salto de 4,1 pontos percentuais em relação ao mesmo periodo do ano anterior.
Além disso, o senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz da campanha de Lula no segundo turno, foi escalado para reforçar esse paralelo. Em 9/10, ele afirmou que o “tesoura” defendido por Flávio seria semelhante ao aplicado por Milei, resumindo a estratégia: “Nós não queremos transformar o Brasil na Argentina”.
A comunicação da campanha também segmenta mensagens para redes sociais, destacando depoimentos de argentinos para ilustrar impactos de políticas de austeridade e buscando ampliar a percepção de risco entre eleitores. A narrativa está alinhada com o objetivo de associar o adversário a um modelo econômico controverso, segundo a leitura interna da equipe.
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Crédito: Divulgação/ Ricardo Stuckert

