Resumo: Medida provisória encerra operações de apostas esportivas no Brasil, com perdas estimadas de aproximadamente R$ 2,623 bilhões até 2027. COB e federações preveem cortes orçamentários e impactos no Time Brasil para Los Angeles-2028, além de possíveis adiamentos de projetos como os Jogos da Juventude.
No Brasil, após a edição da medida provisória que pôs fim às operações das bets no país, o esporte olímpico e paralímpico enfrenta a perspectiva de redução de recursos. Segundo a jornalista Carol Knoploch, do O Globo, publicada no último domingo (4), a estimativa aponta uma retração de aproximadamente R$ 2,623 bilhões até 2027, com a maior parte do dinheiro afetado concentrada entre 2026 e 2027.
A conta leva em consideração aproximadamente R$ 497 milhões que deixariam de ser repassados entre outubro e dezembro de 2026, além de outros R$ 2,1 bilhões estimados para 2027. O cálculo não inclui valores de contratos diretos entre empresas de apostas e confederações.
A interrupção ocorre após a edição da medida provisória que determinou o fim das operações das bets no país. Segundo o governo, a iniciativa tem como objetivo proteger famílias diante do aumento do endividamento associado às apostas.
No Comitê Olímpico do Brasil (COB), a mudança já provoca uma revisão do planejamento financeiro. O presidente Marco La Porta afirma que o cob recebeu aproximadamente R$ 200 milhões das bets entre 2025 e setembro de 2026 e ainda esperava mais R$ 25 milhões até o fim deste ano.
Para 2027, a previsão era de uma receita entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões, representando cerca de 20% de um orçamento anual de aproximadamente R$ 600 milhões.
La Porta afirma que a preparação do Time Brasil para Los Angeles será preservada, mas outras áreas deverão sofrer cortes ou depender do fundo de reserva do COB. Projetos como a ampliação dos Jogos da Juventude também podem ser adiados.
“Nosso maior impacto será no ano que vem porque não teremos arrecadação. Ou seja, são R$ 125 milhões a menos a dois anos dos Jogos Olímpicos, e isso terá consequências”, declarou o dirigente ao O Globo.
O diretor de Esporte do COB, Jorge Bichara, também admite que ainda não é possível garantir a manutenção de todas as iniciativas previstas para o próximo ciclo. “Recebi a orientação de que a preparação para Los Angeles segue sendo nossa prioridade. Mas, se conseguiremos atender todas as frentes que tínhamos proposto, ainda não sei dizer”, declarou.
A perda de receita não ficará restrita ao COB. Modalidades que receberam recursos diretamente das apostas também precisarão se reorganizar. A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu R$ 13 milhões em 2025 e aproximadamente R$ 6 milhões em 2026. Para o CEO André Alves, o fim dessa fonte de renda representa impacto relevante para uma modalidade fortemente vinculada ao mercado de apostas.
“A NBA impulsiona muito as apostas, e a temporada começa em outubro. Projetávamos um fim de ano melhor e 2027 ainda melhor”, lamentou Alves.
Na Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), a mudança também é citada como fator de reorganização, ainda que não haja detalhamento específico no material apresentado.
Resumo: Repasses de apostas esportivas para o esporte brasileiro passam por ajustes. CPB recebeu R$ 57,4 milhões em 2025 e mais R$ 54,1 milhões até set/2026; projeção de R$ 82,1 milhões para 2027. CBC estima perda de ~R$ 50 milhões. COB planeja cortes sem reduzir o total de repasses. Lei 14.790/2023 estabelece destinação de 36% da arrecadação; COB utilizou reserva técnica e Lei Agnelo Piva para repasses.
As receitas de apostas esportivas destinadas ao esporte brasileiro passam por ajustes que afetam o CPB, o CBC e o COB, entidades que dependem desses recursos para programas de alto rendimento, formação de atletas e estrutura administrativa. O cenário atual prevê mudanças regulatórias que impactam a forma como esses recursos serão aplicados no futuro.
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) tem as receitas de apostas sob revisão. O órgão recebeu R$ 57,4 milhões em 2025 e outros R$ 54,1 milhões até setembro de 2026. A projeção para 2027 era de aproximadamente R$ 82,1 milhões, mas esse montante passa a compor uma lista de receitas que deverão ser compensadas, com a aplicação de recursos condicionada a novas regras.
O CBC estima uma perda de aproximadamente R$ 50 milhões. O presidente Paulo Maciel afirmou: “Acho que tudo isso foi um desserviço. Justamente na hora em que os clubes estavam se organizando para grandes eventos, como Olimpíada, fazendo contratações, programando cursos, etc. Essa verba fará falta no futuro.”
Como funcionavam os repasses? A Lei Nº 14.790/2023 estabelecia que 36% da arrecadação das apostas fosse destinada ao esporte. Do total, 22,20% ficavam com o Ministério do Esporte; 2,20% ao COB; 1,30% ao CPB; e 0,70% ao CBC. Havia ainda percentuais para esporte escolar e universitário, clubes paralímpicos, esporte master e secretarias estaduais de esporte.
O COB adotou uma estratégia própria diante da insegurança jurídica que envolve a regulamentação. Em vez de usar de imediato os recursos das apostas, direcionou o dinheiro para o fundo de reserva técnica e ampliou os repasses às confederações por meio da Lei Agnelo Piva, abastecida pelas Loterias Federais. Em 2026, o COB programou R$ 285 milhões para projetos das confederações, com a intenção de manter esse volume no próximo ano, sem aumentá-lo. “Não devemos diminuir o repasse, mas também não vamos aumentar. Cortaremos no COB. Sei da dificuldade das confederações pequenas”, afirmou La Porta.

