Resumo: MPE pede ao TSE a impugnação da candidatura de Márcio Canella, eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, por suspeitas de ligação com milícias e com o Comando Vermelho (CV).
PF prendeu Canella em 15/10, na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro via rede de postos de combustível no RJ, com movimentação estimada de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.
O MPE aponta provas de que Canella atuou como articulador do esquema, em meio a indícios de influência sobre a cúpula da segurança pública e recebimento de recursos do grupo criminoso.
Nas eleições deste ano, Canella obteve 197.178 votos, sendo o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro – O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impeça a candidatura de Márcio Canella, deputado estadual eleito no Rio de Janeiro, sob suspeitas de ligação com milícias e organizações criminosas, incluindo o Comando Vermelho (CV). O parecer foi encaminhado nesta sexta-feira, 23 de outubro, e sustenta que há provas de que o político atuou como articulador de um esquema criminoso.

O caso envolve a oitava fase da Operaç?o Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), na qual Canella foi preso em 15 de outubro. A investigação mira um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro, com movimentação estimada em mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
No parecer, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, defende que o TSE modifique a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia liberado a candidatura antes do acesso às provas. O sigilo do processo foi retirado neste mês, após a prisão do parlamentar.
Espinosa sustenta que o TSE já tem entendimento consolidado de que políticos ligados a organizações paramilitares podem ter candidaturas impedidas mesmo sem condenação definitiva, com base no artigo 17 da Constituição, que proíbe a influência de tais grupos sobre partidos políticos.
Segundo o pedido, as provas reunidas no inquérito apontam Canella como articulador político do esquema, com indícios de que ele teria influenciado a indicação de cargos na cúpula da segurança pública para beneficiar o grupo e recebido dinheiro em espécie proveniente do esquema.
O político já havia sido preso em julho, na sexta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, a PF apreendeu R$ 919 mil em dinheiro vivo em endereços ligados a Canella, além de valores em dólares. Um fuzil de uso restrito também foi encontrado no interior de seu veículo.
Nas eleições deste ano, Canella recebeu 197.178 votos e foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro.
Ligação com milícias
O MPE cita outros indícios de envolvimento com organizações paramilitares e detalha a necessidade de aprofundar as investigações para confirmar as ligações entre o político e os Grupos Criminosos, conforme descrito no parecer encaminhado ao TSE.
Fonte: Coluna Mirelle Pinheiro, PrimeiroJornal.
Resumo rápido: Investigações apontam possível relação entre a gestão de Belford Roxo e milícias locais, com indícios de acordos com o tráfico para uso político de obras públicas. Documentos da PF e parecer do MP citam nomeação de milicianos para secretarias em 2025 e relações com o Comando Vermelho (CV).
Belford Roxo, RJ — O Ministério Público aponta que, ao assumir a Prefeitura de Belford Roxo em 2025, o deputado Canella nomeou para duas secretarias líderes de milícias da região. O parecer cita que um deles já havia sido condenado por milícia e o outro respondia a processo por extorsão e porte ilegal de arma, sendo condenado posteriormente. Também há menção de que os dois participaram da campanha eleitoral de Canella neste ano, segundo o documento. O texto afirma ainda que, quando era deputado estadual na Alerj, Canella manteve em seu gabinete a esposa de um líder do grupo miliciano Bonde do Jura até 2023.
Operação Barricada Zero — O parecer aponta suspeitas sobre a operação Barricada Zero, realizada durante a gestão de Canella para remover obstáculos usados pelo tráfico de drogas. Segundo o MP, a ação teria envolvido acordos informais com o Comando Vermelho (CV), abrindo caminho para obras públicas e favorecendo interesses da prefeitura.
Conversas com Doca, do CV
Conexões documentais — Conforme divulgado pela PF, o material que embasa a oitava fase da Operação Unha e Carne aponta possível ligação entre a gestão de Canella e integrantes da cúpula do CV. A análise do celular do capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, preso em fevereiro, indica que ele atuava como intermediário entre interesses da prefeitura e a facção. Diálogos registrados incluem Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e José Severino da Silva Júnior, o Soró, apontados como integrantes da cúpula do CV.
Condições de acordo — Segundo os documentos, os traficantes teriam concordado em retirar barricadas para permitir obras públicas, que depois seriam usadas politicamente pela prefeitura. Em troca, a prefeitura e o capitão garantiriam a redução das operações policiais e permitiriam que traficantes retomassem o controle do território após a conclusão das obras de asfaltamento.
