PT aponta Sidônio Palmeira, ministro da Secom, como principal responsável pela derrota de Lula no primeiro turno. Campanha descrita como improvisada; debate não abordou custo de vida. Disputa interna sobre as “bets” é citada, com planos para o segundo turno, incluindo possível licenciamento de Lula. Palavras-chave: PT, Sidônio Palmeira, Lula, segundo turno, custo de vida, bets, Bolsonaro.
Segundo informações do blog de Caio Junqueira, no portal CNN Brasil, lideranças do PT apontam Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), como o principal responsável pela derrota de Lula no primeiro turno. Três petistas ouvidos pela reportagem afirmam que a campanha foi conduzida de forma improvisada e que o debate ficou distante da realidade das ruas, dando ênfase a temas como soberania e terras raras em detrimento de questões como o custo de vida.
Também houve disputas internas que vazaram, sempre sob a ótica do ministro, o que alimenta críticas à coordenação da comunicação do governo.
DISPUTA SOBRE BETS
Um dos exemplos citados é a discussão interna sobre as bets. Sidônio defendia o fim total das apostas, enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, preferia uma saída gradual, via Congresso. A proibição prevaleceu, mas a notícia de que Lula havia acabado com as bets dividiu espaço com a de que Sidônio teria vencido Edinho.
Uma ala do partido avalia ainda que a estratégia nunca foi bem definida. Para esse grupo, a campanha apostou demais na máquina do Estado e em um pacote de bondades, sem medir o efeito eleitoral. Medidas como o reajuste do Bolsa Família, o fim das bets e a renegociação de dívidas não tiveram o impacto esperado.
CUSTO DE VIDA
Petistas também avaliam que Sidônio não conseguiu rebater o principal discurso de Flávio Bolsonaro (PL): o custo de vida, simbolizado pelo carrinho de supermercado que não se consegue encher por causa dos preços.
Para eles, o governo apresenta bons indicadores de inflação, desemprego e crescimento, que deveriam ter sido mais explorados. A percepção de piora da economia, dizem, deve ser explicada por fatores externos, como o conflito no Oriente Médio, que pressionou os combustíveis, e fenômenos climáticos que encareceram os alimentos.
DESAPROVAÇÃO
Outra crítica é que Sidônio chegou ao período eleitoral sem reduzir a desaprovação do governo, hoje na casa de 50%. Segundo esses petistas, ele foi o único responsável pela comunicação de um presidente candidato à reeleição e não conseguiu melhorar esse índice. Os especialistas citados mencionam outros momentos na política nacional em que a comunicação de candidatos à reeleição apresentou variações de popularidade.
PRÓXIMOS PASSOS
O PT se reúne nesta segunda-feira (5) para planejar a campanha do segundo turno. Entre as possibilidades estão Lula se licenciar para se dedicar integralmente à campanha ou reforçar as fragilidades de Flávio Bolsonaro, especialmente a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A direção também pretende construir um discurso voltado a quem se absteve no primeiro turno, buscando convertê-los à votação no segundo turno. Apesar das dificuldades, a sinalização interna é de que ainda é possível vencer com uma campanha bem estruturada a partir de agora.
Conforme informações divulgadas pelo blog de Caio Junqueira, parceiro do CNN Brasil, o PT já traça o rumo para o próximo estágio da disputa.

