Resumo: Polícia Civil do RS deflagra a operação Sombra Digital contra extorsão digital. Nove mandados de busca e apreensão são cumpridos em Porto Alegre. Mandante está na Cadeia Pública da cidade. Provas, aparelhos, chips, Pix e documentos devem ser apreendidos. Investigações apontam cooperação de familiares e de uma rede criminosa fora do presídio.
Porto Alegre, RS — Nesta sexta-feira (16/10), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) deflagrou a operação Sombra Digital para desarticular um esquema de extorsão digital que exigia pagamento para não divulgar imagens íntimas. A ação, segundo as investigações, seria articulada a partir do sistema prisional por um investigado vinculado a uma facção criminosa com atuação em Porto Alegre.
Batizada de Sombra Digital, a operação cumpre nove mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, nos bairros Costa e Silva, Mário Quintana, Vila Jardim e Vila João Pessoa, além de uma cela da Cadeia Pública de Porto Alegre.

Crédito: Divulgação PCRS
As apurações apontam que o objetivo era extorquir a vítima por meio de mensagens no WhatsApp, com o uso de múltiplas linhas telefônicas, aparelhos compartilhados e chaves Pix em nome de terceiros para exigir dinheiro da vítima sob ameaça de divulgação de conteúdo íntimo.
Entre as táticas utilizadas, o conteúdo era encaminhado com a visualização única para dificultar provas. A vítima recebeu novas mensagens com a mesma exigência, sob a ameaça de exposição. Além disso, os criminosos passaram a compartilhar dados pessoais da vítima e de familiares, incluindo endereços residenciais e locais de trabalho.
Foi constatado que o mandante das ações está atualmente recolhido na Cadeia Pública de Porto Alegre e coordenava as atividades com apoio de familiares e de uma estrutura criminosa fora do estabelecimento prisional. A Justiça determinou a expedição de mandados de busca e apreensão nos endereços dos oito investigados identificados, inclusive na cela onde se encontra o articulador do grupo.
Segundo a PCRS, as buscas visam à apreensão de aparelhos celulares, chips de operadoras (SIM cards), anotações e documentos com dados bancários e chaves Pix, comprovantes de transações financeiras, além de outros instrumentos e eventuais produtos do crime.
De acordo com Filipe Borges Bringhenti, diretor operacional do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), a operação demonstra que o anonimato da internet não funciona como escudo para o crime.
“Quem utiliza o ambiente virtual para extorquir e expor a intimidade alheia precisa saber que as técnicas de disfarce digital já são plenamente superadas pelo aparato tecnológico da Polícia Civil. Nós rastreamos os passos, quebramos os sigilos necessários e alcançamos os responsáveis onde quer que tentem se esconder.”
As investigações seguem para responsabilizar todos os suspeitos do crime.

