Cuba celebra aprovação na ONU contra o bloqueio, sob pressão de Trump
Resumo: Cuba celebra na ONU a aprovação de resolução que condena o bloqueio dos EUA. Votação: 130 a favor (Brasil entre eles), 17 contrários e 25 abstenções. Palomo, em Brasília, destaca custo humano da política de Washington, citando mortes infantis e aumento da mortalidade entre 2025 e 2026.
Brasília — Em meio a um cenário de resistência internacional, Cuba celebrou a aprovação, pela Assembleia Geral da ONU, de uma resolução que condena o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha, em vigor há mais de seis décadas. O embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, ressaltou que, apesar das pressões, Cuba manteve o apoio da maioria da comunidade internacional.
“Em um mundo onde os EUA lideram novas práticas do fascismo, por meio de chantagens e ameaças a países pequenos, imposição de guerras econômicas e tarifas, Cuba manteve o apoio da imensa maioria dos países da comunidade internacional. É uma grande vitória de nosso povo”,
afirmou Palomo durante a entrevista à Agência Brasil.
A resolução foi aprovada nesta terça-feira com 130 votos a favor, incluindo o do Brasil, 17 contrários e 25 abstenções. Ao longo de três décadas de votações na ONU, esse foi o menor apoio já registrado para a iniciativa que visa pôr fim ao bloqueio.
A queda no apoio é associada a uma campanha do governo Donald Trump para convencer países aliados a rejeitarem a proposta. Em 2024, apenas dois países votaram contra: Israel e EUA.
Neste ano, 17 países votaram contra a condenação do bloqueio a Cuba: Argentina, Bósnia e Herzegovina, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Israel, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trinidad e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, República Tcheca e EUA.
Enquanto isso, em 2024, houve apenas uma abstenção; neste ano, 25 países não votaram, incluindo Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, nações que historicamente apoiavam Cuba.
Custo humano do bloqueio
Ao receber a Agência Brasil na embaixada de Cuba em Brasília, Palomo lembrou que o bloqueio é ilegal segundo o direito internacional e destacou o custo humano da política de Washington.
“Foram mais de 1,5 mil crianças que morreram por não terem acesso a medicamentos ou por falta de combustível para manter incubadoras de recém-nascidos”, lamentou o embaixador.
Entre 2025 e 2026, em meio ao endurecimento do bloqueio, a mortalidade infantil em Cuba dobrou, passando de 4,4 para 9,9 mortes por mil nascimentos.
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Problema mundial
O embargo econômico a Cuba, instituído como retaliação à Revolução Cubana de 1959, continua a ser apresentado pela ilha como um instrumento de pressão política que afeta, sobretudo, a população civil e o desenvolvimento econômico do país.
Resumo: Em Cuba, o embaixador Victor Manuel Cairo Palomo critica o endurecimento do bloqueio dos EUA e sanções que afetam a população, citando contêineres parados e apagões. Cuba anuncia reformas econômicas e aposta em energia solar, com apoio da China, para enfrentar pressões externas.
CUBA – O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo afirmou que as sanções impostas pelos Estados Unidos contra Cuba prejudicam a população, destacando impactos como o aumento de preços, dificuldades logísticas e interrupções no fornecimento básico provocadas pelas medidas de bloqueio.
Ele lembrou da nova doutrina dos Estados Unidos para a América Latina, que, segundo o diplomata, busca impedir as relações entre os países da região e a China.
“Os EUA acreditam que eles têm que controlar os destinos da América Latina e do Caribe. Eles dizem que vão impor a paz pela força. É um modelo para o mundo onde eles se consideram os donos de tudo”, destacou Victor.
O embaixador descreveu ainda o peso das sanções secundárias, que, segundo ele, têm um impacto tremendo. Conforme Palomo, Cuba acumula mais de 7 mil contêineres comprados que permanecem parados em portos ao redor do mundo, pois transportadoras evitam entregar por medo de represálias dos EUA.
Endurecimento do bloqueio
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, os EUA adotaram uma série de novas sanções contra Cuba. Entre as medidas, está o bloqueio energético que mira países que vendam petróleo à ilha.
A política ganhou repercussão internacional ao deixar a ilha sem recebimento de petróleo por cerca de três meses, o que tem gerado apagões de energia em Havana que podem superar dez horas diárias, com reflexos sobre serviços públicos, transporte e indústria.
Para Palomo, sem combustível a produção de alimentos, a conservação de itens básicos e o funcionamento do transporte público ficam comprometidos, ampliando o impacto social da política externa norte?americana.
As sanções também têm levado à redução de voos internacionais, à saída de empresas hoteleiras estrangeiras e, more recentemente, à suspensão de serviços de cartões de crédito, como a Visa, afetando diretamente o turismo, um dos pilares da economia cubana.
Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA — sob a liderança de Marco Rubio, descendente de cubanos — impôs novas sanções a empresas associadas a “tecnologias sensíveis” ligadas à ilha. A Justiça norte?americana chegou ainda a decretar, neste mês, a prisão do ex?-presidente cubano Raúl Castro.
Reforma econômica
Em resposta ao cerco econômico, Cuba lançou uma reforma econômica com o objetivo de contornar o bloqueio e dinamizar a produção interna. Palomo afirmou que ainda é cedo para medir os efeitos, mas indicou que estudos internos apontam condições mais favoráveis para ampliar a produção.
“Estamos mudando a matriz energética para energia solar de maneira acelerada com apoio da China e trabalhando fortemente na produção de alimentos, pois nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA mude seu caminho de pressão contra Cuba”, concluiu o embaixador.






