Resumo
Trump afirma que exploração de petróleo, gás e minerais na Groenlândia está prestes a começar. EUA, Dinamarca e Groenlândia assinam acordo para ampliar presença militar, sem direitos de mineração. Groenlândia manteve proibição de mineração de urânio desde 2021; Greenland Energy planeja perfurar em 2027, sem licença formal. Especialistas destacam implicações estratégicas para soberania regional.
Groenlândia — O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (14) que uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está para começar na Groenlândia, território autônomo sob administração dinamarquesa. Em postagem nas redes sociais, ele descreveu a ilha como “nossa nova e bela Groenlândia” e associou os supostos ganhos dos EUA a um acordo de segurança assinado em setembro, sem detalhar elementos concretos do pacto.
O gabinete do primeiro-ministro da Groenlândia não comentou a declaração, enquanto os Ministérios das Relações Exteriores da Dinamarca e de recursos minerais da Groenlândia não responderam de imediato a pedidos de entrevista. A dinâmica envolve um acordo recente entre EUA, Dinamarca e Groenlândia para reforçar a presença militar na ilha, mas sem concessões de direitos de mineração ou perfuração, segundo o texto do acordo.
A Groenlândia já havia proibido a mineração de urânio e toda futura exploração de petróleo em 2021. Ainda assim, a Greenland Energy, empresa com sede no Texas, afirmou, em agosto, que planejava perfurar em 2027 em uma bacia ainda não explorada na costa leste, embora não possuísse licença específica para isso. A proprietária anterior, a Arco, investiu pesadamente em trabalhos sísmicos na década de 1970, mas nunca chegou a perfurar.
Para o pesquisador dinamarquês especializado em política de segurança, Jacob Kaarsbo, os comentários de Trump podem sinalizar que seu desejo de controlar a Groenlândia permanece inalterado. “É extremamente perigoso considerar esse acordo entre o governo Trump e a Dinamarca como algo que tenha alterado as intenções de Trump”, disse Kaarsbo, em referência à leitura estratégica do caso.
O acordo de 10 páginas entre EUA, Dinamarca e Groenlândia abriu caminho para o estabelecimento de duas novas bases militares e para o sistema de defesa antimísseis conhecido como Domo de Ouro, ao mesmo tempo em que reafirmou a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação. Em postagens, Trump afirmou que qualquer ataque futuro aos EUA passaria pela Groenlândia, onde a defesa poderia derrubar drones, mísseis ou qualquer arma ainda não concebida, afirmando que isso oferece maior tempo, localização e visão estratégica.
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