Apesar de acordo nacional por Lula, Solidariedade vai apoiar Zema em Minas

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A direção nacional do Solidariedade firmou acordo para compor a coalizão que vai apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Em Minas Gerais, no entanto, o partido adotará postura neutra em relação à corrida rumo ao Palácio do Planalto e caminha para engrossar a campanha pela reeleição do governador Romeu Zema (Novo).
A decisão da cúpula mineira da agremiação de não apoiar formalmente nenhum pré-candidato a presidente vai ao encontro da resolução que liberou os diretórios locais do Solidariedade para decidir localmente as táticas eleitorais.
A aliança com Zema, por sua vez, é fruto da proximidade entre o Palácio Tiradentes e a legenda, que está na base aliada ao governo na Assembleia Legislativa.
Nacionalmente, o Solidariedade é comandado pelo deputado federal Paulinho da Força, dirigente que fez carreira na Força Sindical, central que une trabalhadores de diversas frentes profissionais.
Em Minas, o presidente da legenda é o também parlamentar federal Zé Silva. Segundo ele, a agremiação terá “dois posicionamentos muito claros” no estado. “Não estaremos nem com Lula, nem com Bolsonaro. E, para o governo, estaremos com o governador Romeu Zema”, disse ao Estado de Minas.
“O que está certo até agora é que estamos com Zema. A direção nacional deixou os estados livres para cada pré-candidato que o presidente que quiser”, reforça o deputado estadual Professor Wendel Mesquita, único representante do Solidariedade no Legislativo mineiro. No plano federal, aliás, ele decidiu caminhar com Pablo Marçal, presidenciável do Pros.
O Solidariedade está no cordão de partidos que debatem, conjuntamente, estratégias ligadas à participação na chapa de Zema. O grupo tem legendas com PP, Avante e Podemos.

Aliado de Paulinho da Força afagou Lula em BH

Em que pese a decisão institucional de manter distanciamento formal da eleição presidencial, Lula recebeu apoio público de parte do Solidariedade de Minas em sua última visita a Belo Horizonte, em maio.

Durante evento no Expominas, na Região Oeste da cidade, representantes de partidos como PV, Psol e PCdoB falaram em prol de Lula. Vandeir Messias, secretário de Políticas Públicas do Solidariedade em Minas, foi um dos que empunharam o microfone.

“Nunca desistiremos de nosso sonho. O sonho pode ser interrompido, mas recomeça sempre que temos essa atitude de tomar a iniciativa de unir os partidos de esquerda e as nove centrais sindicais em um propósito único: eleger, no primeiro turno, o nosso presidente Lula”, falou ele, que preside a Força Sindical em Minas.

Zé Silva, no entanto, minimiza a presença de filiados ao Solidariedade em uma atividade pró-Lula. “Foram filiados nossos, mas ninguém representou a direção do partido”, explicou.

Antes do acordo com Lula, Paulinho da Força chegou a conversar com Eduardo Leite, ex-governador gaúcho, que ensaiou uma pré-candidatura nacional pelo PSDB.

Por ora, além do Solidariedade, a frente de apoio a Lula tem PV, PCdoB, PSB, Rede Sustentabilidade e Psol.

Deputado não crê em impulso ao ‘Lulema’

Para Wendel Mesquita, a postura do Solidariedade não é incentivo ao fenômeno “Lulema” – nome dado ao voto casado em Lula e Zema.

No mês passado, o Instituto F5 Atualiza Dados apontou que eles lideram as pesquisas de intenção de voto em Minas. Na disputa nacional, o ex-presidente da República tem 43,6%, contra 31,5% de Jair Bolsonaro (PL), pré-candidato à reeleição. No que tange ao pleito estadual, o governador soma 45,7%, ante 28,4% de Alexandre Kalil (PSD), ex-prefeito de BH.

“Há muitas pessoas com Lula e Zema. ?? natural. Mas o partido, em si, não vai trabalhar isso (o ‘Lulema’). Nossa diretriz é a liberdade para os pré-candidatos apoiarem quem quiser a presidente”, defende o deputado estadual.

A pesquisa citada neste texto está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números MG-00062/2022 e BR-02909/2022.

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