Copa do Mundo no Catar é o atestado de óbito da nociva espécie humana

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A Copa neste paisinho ricaço e cheio de costumes impiedosos e sem contato com o processo civilizatório é a oportunidade de verificar o quanto a hipótese do pessimismo no convívio humano ganha força ao constatarmos esta abjeta materialidade.

Então, nós temos um lugar com tanto petróleo a ponto de não saberem onde investir a grana da venda dos barris e a opção escolhida foi sediar uma Copa onde pessoas são apedrejadas até a morte.

Daí, constroem-se estádios tão luxuosos a ponto de terem apartamentos para os torcedores endinheirados, além de aparelhos de ar condicionado para se conseguir jogar naquele forno.

Para isso, emprega-se a mão de obra de países pobres, desesperada por emprego, e dá-se calote sem oferecer condições de segurança, resultando em milhares de mortes.

Tá. Enquanto os homens de turbante compram a Copa na mão de seu Platini, Blatter e outros espertalhões, nesta mesma competição teremos a participação, por exemplo, do Senegal, país no qual crianças passam fome.

Entendi. E os países europeus, acusados de invasões, chacinas e pilhagens na América, Ásia e África, ficam de boa, tipo Pilatos, não é comigo, não, foi a Fifa, então lavam as mãos.

Brasil, Argentina, Uruguai e Equador, vítimas de Portugal e Espanha, são controlados por pessoas da confiança de quem se locupleta com negócios lucrativos no comércio de jogadores, também acham “normal” tal disparate.

Entendo a realização desta Copa o novo capítulo do livro do final dos tempos, seguindo-se à invencível pandemia (tome a quinta dose) e às alterações climáticas.

A espécie humana se autodeclara, uma vez mais, incompetente para a compaixão, cada qual cuide de si, não há futuro, toca The Clash ou Ataque Sonoro, lados A e B do vinil de punk rock.

Foda-se o mundo que eu não me chamo Raimundo, poderiam dizer os califas montados na bufunfa, em exercício de didatismo, porque a Copa explica tudo, deixa a nu quem somos, não adianta esconder o rosto sob os véus.

Somos uns escrotos, seres sem noção, acreditamos na porra do raciocínio como se fosse um deus, e não há qualquer inclinação para tentarmos construir um mundo habitável.

Chamamos de serpente o bicho rastejante, matamos as baratas nos nossos apartamentos limpinhos, temos horror a gatos de rua, morcegos, ui, que horror, mas diga aí, pense honestamente, se não é a humana a espécie mais nociva.

Caso o bicho bípede racional prestasse, estariam todas e todos pressionando estes árabes a doar parte desta dinheirama para salvar a África da miséria e ajudar os sul-americanos porque Portugal e Espanha não vão devolver o ouro.

Queriam esnobar porque têm dinheiro demais, em nome de Alá, então, em vez de Copa, poderiam ajudar a equilibrar o meio ambiente, porque os efeitos serão sentidos por todos, até os camelos deles vão pirar quando o bagulho ficar doido.

Então, depois de demonstrado o espetáculo de ostentação ao qual o mundo está assistindo, podemos fortalecer a hipótese do apocalipse porque não há solução para esta espécie egoísta, má e suicida.

Bem fizeram Sadio Mané, Benzema e outras atrações com alguma consciência de ficarem de fora desta vergonha, nosso atestado de óbito moral, físico e existencial porque somos natimortos, desclassificados desde o berço.

Paulo Leandro é jornalista e professor Doutor em Cultura e Sociedade.

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