Castro Rocha: ‘Trauma das frustrações resultará em terrorismo doméstico’

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O ensaísta e professor de literatura João Cezar de Castro Rocha manifestou preocupação sobre um protesto de bolsonaristas que viralizou nas redes sociais na última semana. O pesquisador, que estuda a criação de uma realidade paralela entre apoiadores do presidente, apontou que o trauma pela derrota eleitoral pode resultar em “terrorismo doméstico”.
No Twitter, o professor de literatura comparada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) publicou vídeo em que um grupo de bolsonaristas em Porto Alegre-RS faz uma tentativa de comunicação com extraterrestres e pede ajuda para evitar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito presidente neste ano.
Na publicação, Castro Rocha escreve: “Quando a profecia falha, busca-se racionalizar a derrota: basta esperar 72 horas. Depois, investe-se numa profecia ainda maior: “ditadura democrática”. Mais 72 horas e agora vale até apelar a ETs — e não vão “go home”! Por fim, o trauma das frustrações resultará em terrorismo doméstico”.
  • Leia mais: Castro Rocha: ‘Em ilusão, bolsonaristas serão confrontados pela realidade’

‘Realidade Paralela

Em entrevista ao Estado de Minas, o professor classificou o Brasil como um ‘laboratório de criação de realidade paralela’. Na análise do pesquisador, as manifestações de inconformados com o resultado das urnas são resultado de grupos que vivem em ilusão e estão sendo confrontados pela realidade. 
“Talvez estejamos assistindo a um momento dramático, em que os bolsonaristas se revelarão mais radicais e corajosos do que o covarde presidente. O presidente é um covarde, que só pensa em salvar a própria pele e a família. O presidente está usando a radicalização dos bolsonaristas fanatizados pela midiosfera extremista para ter um poder de barganha maior e tentar obter algum tipo de imunidade jurídica. Mas para fazer isso ele está destruindo a vida de muitas pessoas. Muitas delas não se recuperarão da vergonha do fracasso e muitas delas enfrentarão pesadas consequências do ponto de vista jurídico”, avaliou Castro Rocha em trecho da entrevista.

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