CNJ afasta juíza que atacou ministros do STF e se recusou a voltar ao trabalho

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu dois processos administrativos disciplinares e afastou de forma cautelar a juíza Ludmila Lins Grilo, da Vara Criminal e da Infância e Juventude de Unaí (MG). A decisão foi tomada por unamidade nesta terça-feira (14/2).

O primeiro processo investiga a magistrada por promover, nas redes sociais e durante entrevistas, críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma das publicações, ela compartilhou um texto intitulado “Os perseguidores-gerais da República”, acompanhado de fotos dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Ainda nas redes sociais, Ludmila menosprezou o posto que ocupa, referindo-se a ele como “carguinho”, criticou o inquérito das fake news e uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná que determinou busca e apreensão contra um candidato ao Senado Federal, investigado por irregularidades durante a campanha.

Em outro post a juíza divulgou o link do canal do blogueiro Allan dos Santos, de quem se diz “amiga pessoal”. A conta foi criada após a Supremo Corte determinar a prisão do blogueiro e bloquear suas contas nas redes. A conduta, segundo a decisão, pode configurar “tentativa de auxílio a pessoa investigada”.

“Diante do poder de influência das mídias sociais, em um momento como o presente, em que se reafirmam os pilares da democracia, toda a conduta que possa representar a violação de princípios éticos claramente estabelecidos deve ser coibida.”, defendeu o corregedor nacional de Justiça ministro Luis Felipe Salomão.

O processo também investiga a participação de Ludmila em um congresso ao lado de influenciadores e parlamentares conservadores. O evento foi considerado de cunho político, o que é proibido pelo Código de Ética da magistratura.

Há ainda um segundo processo que apura a recusa de Ludmila em voltar ao trabalho presencial sem autorização. Uma inspeção identificou diversas faltas ao trabalho, baixa produtividade e uma série de irregularidades em sua atuação. Foram identificados 1.291 processos paralisados no cartório.

Em sua defesa, a magistrada afirmou ser alvo de “assassinato de reputação”, promovido pelo CNJ e pelo Tribunal de Justiça do estado. Alegou também que deixou de comparecer presencialmente ao trabalho por sofrer ameaças.

A tese, no entanto, foi rejeitada pelo ministro Salomão. “Um fato une todas as irregularidades. A reclamada não cumpre seus deveres básicos, deixando de comparecer ao fórum mesmo sem ter autorização para realizar teletrabalho, negligenciando a gestão do cartório e deixando de fiscalizar os atos de seus subordinados”, destacou.

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