Por que o varejo de “brusinha” vai tão mal

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Os balanços das empresas de varejo de moda, as que vendem “brusinha” barata, como se diz nas redes sociais, chamaram a atenção no início de 2023. E o destaque não veio embalado por bons resultados financeiros. Deu-se justamente o contrário.

No primeiro trimestre, a Marisa anotou um prejuízo de R$ 149 milhões. A Guararapes, dona da Riachuelo, ficou no vermelho em R$ 175,6 milhões e a C&A, em R$ 126,3 milhões. A Renner conseguiu um lucro líquido de R$ 46,8 milhões, mas essa quantia representou uma queda de 75,6% em relação aos ganhos obtidos no mesmo período de 2022.

Cenário comum Na avaliação de Malek Zein, analista de ações do TC, empresa que presta assessoria a investidores, existe um pano de fundo no mercado, comum a todas essas companhias. Ele abrange dois fatores. Um deles é definido por fatores como queda no consumo, alta inadimplência e aperto no crédito.

O segundo é específico do setor. “Em geral, o primeiro trimestre dessas empresas é muito pior que o restante do ano”, afirma Zein. Isso, observa o analista, é resultado do maior volume de vendas no Natal e réveillon, seguido por uma seca recorrente, em que pesem as promoções.

Renner Dito isso, cada empresa, afirma o analista, tem problemas específicos a superar. “O da Renner, por exemplo, foi a alta da inadimplência dos consumidores”, diz. Por isso, a companhia fez provisões contra possíveis calotes das pessoas que financiaram suas compras de R$ 346,8 milhões. Daí, boa parte da explicação para a queda no lucro.

Aliás, nota Zein, esse lucro só ocorreu porque a varejista teve uma receita tributária extra. “Na prática, a companhia registrou um prejuízo operacional de R$ 26,6 milhões”, diz o analista. Os negócios também evoluíram de forma desigual. A marca Renner teve alta de 3,1% e a Youcom, de 8,5%. A Camicado, especializada em artigos para casa, apresentou  queda 14,6%.

Riachuelo No caso da Guararapes-Riachuelo, que fechou uma fábrica em Fortaleza (CE) no início do ano, o fato de os números terem ficado no vermelho não chega a ser surpreendente. “A empresa dá prejuízo no primeiro trimestre desde 2020”, diz Zein. Ainda assim, fechou com lucro de R$ 51,9 milhões, em 2022, e de R$ 453 milhões, em 2021.

C&A Na C&A, que teve um prejuízo de R$ 126,3 milhões, o quatro também não é tão ruim, na avaliação do analista. Isso porque esse número foi 17,3% inferior ao déficit de R$ 152,7 milhões, registrado nos três primeiros meses de 2022. Ele acrescenta que, neste ano, pesou no balanço da companhia o resultado financeiro negativo de R$ 101 milhões.

A empresa também apresentou uma redução de 68,6% no investimento em marketing. A queda foi um reflexo, principalmente, da decisão de não investir no programa BBB, da TV Globo.

Marisa A situação da Marisa, define Malek Zein, é diferente – e mais complicada. Ela tem sido alvo de diversos pedidos de falência feitos por fornecedores. Ao menos dois deles ocorreram em maio.

O analista diz que a rede vem registrando prejuízos desde 2014, à exceção de 2018. Agora, ela passa por uma pesada reestruturação, cujo objetivo é cortar R$ 52 milhões em despesas.

Nessa frente, está gastando R$ 46,2 milhões para fechar 91 lojas (25, em abril; 33, em maio; e 33, até o fim de junho). Esses pontos de venda são consideradas deficitárias por definição. Com o ajuste, porém, a companhia estima um aumento de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) de R$ 62 milhões.

Concorrência chinesa

E se as empresas de varejo de moda não estão no seu melhor momento, o quadro no médio prazo não chega a ser alentador. Isso porque elas enfrentam uma concorrência cada vez mais pesada de marcas chinesas como a Shein.

A empresa já vendeu mais de R$ 7 bilhões em produtos no Brasil no ano passado, o que a alçou à posição de terceira maior varejista de moda no país, atrás apenas da Riachuelo e da Renner.

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