Lula falha (por Cristovam Buarque)

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O encontro do G20 em Nova Delhi reafirma o papel do Presidente Lula como um expoente da liderança planetária, mas que ainda não tem o discurso certo.

Ao colocar sob suspeição o papel e a força do Tribunal Penal Internacional, se isola da maioria de países que percebem a importância de uma justiça internacional contra genocidas e ditadores. Usar o argumento de que os Estados Unidos não reconhecem o TPI não aumenta a simpatia do mundo por Lula. O próprio Lula disse uma vez que Bolsonaro seria um dia julgado e preso por um tribunal internacional por ter negado vacina ao povo brasileiro.

Para ser um líder planetário, em vez de contestar, Lula precisa defender a ampliação do escopo do TPI para outros crimes contra a humanidade: como o ecocídio cometido por agentes públicos e por empresários privados contra o meio ambiente, ou a corrupção que priva o povo dos recursos públicos para projetos sociais.  No lugar de defender a soberania de países para cometerem crimes contra a humanidade, Lula deveria ampliar os tipos de crimes a serem julgados.

Da mesma forma, o presidente perde liderança quando busca obsessivamente uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, para o Brasil. Este era um pleito que se justificava no presidente Fernando Henrique Cardoso, que não tinha propósito nem condições de ser um líder planetário: almejava apenas ser tratado como um entre os grandes líderes nacionais. Lula pode ser mais que isto. Pode ser um líder planetário propondo alternativas progressistas para o mundo.  No lugar de propor uma reforma buscando fazer parte dos privilegiados, aumentando de cinco para dez o grupo dos que se julgam superiores aos outros 200 países, o discurso de Lula deve propor reforma progressista: abolir membros permanentes no Conselho de Segurança.

O Presidente Lula precisa ouvir as vozes e as necessidades do mundo, não apenas os aplausos dos que o rodeiam, mesmo quando ele falha. Esta semana ele terá a chance de fazer seu maior discurso: na abertura da Assembléia das Nações Unidas. Precisa cobrar um tratamento humanista para os migrantes, com uma Bolsa Família Internacional. Propor o fim dos membros permanentes no Conselho de Segurança, não apenas a reforma fake de aumentar o número de países, para incluir o Brasil entre os privilegiados.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Moraes marca depoimento de Bolsonaro em investigação sobre arma apreendida com agente do GSI

Resumo: o STF autorizou que Jair Bolsonaro preste depoimento no inquérito que apura a apreensão de uma pistola registrada em seu nome, localizada...

Arthur Henrique (PL) estará nas urnas em eleição de RR apesar de decisão de Dino

Resumo: Em Roraima, Arthur Henrique (PL) disputará o governo na eleição suplementar marcada para 21 de junho, mesmo em situação sub judice. O...

Gilmar Mendes libera processos sobre ‘pejotização’ na primeira e segunda instâncias da Justiça do Trabalho

Resumo: O STF, sob o voto do ministro Gilmar Mendes, retirou a suspensão que bloqueava ações sobre a legalidade da contratação por meio...