Como a defesa de Bolsonaro pensa em livrá-lo da prisão

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Bonitinho! A defesa de Bolsonaro quer desqualificar as provas e evidências de que ele tentou aplicar um golpe para impedir a posse de Lula com a desculpa de que ao final não houve golpe. Como se a mera tentativa de aplicar um golpe não fosse crime. É de rir.

Verdade que Bolsonaro, uma vez derrotado, conversou com o ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) e o senador Marcos Do Val (Podemos-ES) sobre uma trama para gravar o ministro Alexandre de Moraes dizendo algo que o comprometesse?

Sim, foi o que o senador disse a Moraes e depois à Polícia Federal. Bolsonaro admite ter recebido Do Val e Silveira no Palácio da Alvorada, mas…, mas teria se limitado a ouvir a conversa entre os dois. Taokey. E por que não mandou prendê-los imediatamente?

Nenhuma autoridade, muito menos a número 1, pode testemunhar discussão sobre um golpe de Estado e não a denunciar à Justiça. Tampouco pode reunir-se com um criminoso condenado, no caso um hacker, para ouvi-lo sobre o processo eleitoral.

A deputada Carla Zambelli (PL-SP) sugeriu a Bolsonaro ouvir o hacker Walter Delgatti Neto. Bolsonaro o recebeu no Palácio da Alvorada, perguntou se ele teria meios de fraudar uma urna e despachou-o para reuniões com militares no Ministério da Defesa.

Ali, segundo Delgatti, ele esteve quatro vezes. Quem o recebeu? É segredo para não atrapalhar as investigações. O que os militares perguntaram a Delgatti e o que ele respondeu? Segredo. Mas a palavra de um criminoso não vale nada. Quem disse que não vale?

Quantos crimes já não foram elucidados porque seus autores ou cúmplices confessaram? É a palavra de um criminoso contra a palavra de um presidente da República, aquela altura no exercício do cargo. E daí? Era um presidente interessado em dar um golpe.

Tanto era que recebeu de um assessor, Filipe Martins, a minuta de um golpe, conta seu ajudante-de-ordem, o tenente-coronel Mauro Cid, em delação premiada à Polícia Federal. E Bolsonaro mandou que Martins alterasse a minuta para parecer mais simples.

Em um dos seus pontos, a minuta finalmente aprovada por Bolsonaro previa a prisão de Alexandre de Moraes. Apresentada aos comandantes das Forças Armadas pelo próprio Bolsonaro, o chefe da Marinha concordou com o que estava escrito nela.

O chefe da Aeronáutica ficou calado; o do Exército, discordou. Foi em mais uma reunião sobre o golpe no Palácio da Alvorada, essa em 16 de dezembro do ano passado. Quatro dias antes, em sessão no Tribunal Superior Eleitoral, Lula fora diplomado presidente.

Está tudo muito bem, mas Bolsonaro não assinou a minuta do golpe, dizem seus defensores. E, para completar, não houve golpe. Quanto ao golpe do 8 de janeiro, Bolsonaro nem estava no Brasil: refugiara-se nos Estados Unidos ainda deprimido com a derrota.

É com esses argumentos, que até mesmo um estudante de Direito saberia rebater, que os advogados de Bolsonaro pensam livrá-lo da cadeia? Então, fique certo: Bolsonaro acabará condenado e possivelmente preso. Providenciem outros argumentos, se os há.

A confidentes, Bolsonaro tem dito que será condenado.

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