Médico sobrevivente de tiroteio no Rio: “Comecei a forçar vômito”

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O médico ortopedista Daniel Sonnewend Proença, de 33 anos, contou como controlou o desespero até o socorro chegar, após ser alvo de quase 20 tiros em um quiosque da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), em 5 de outubro. Três amigos médicos que estavam no local também foram atingidos, mas não resistiram aos ferimentos.

“Comecei a fazer exame dentro de mim, comecei a forçar vômito para ver se havia alguma perfuração interna”, relatou o ortopedista, em entrevista ao Fantástico exibida na noite deste domingo (17/12). É a primeira vez que o sobrevivente fala, com detalhes, sobre o atentado.

Ele explicou que assim que percebeu que estava ferido, mexeu as mãos e os pés, e observou que estava com uma fratura no fêmur. O médico contou que buscou reduzir a respiração e a frequência cardíaca para diminuir o sangramento.

O grupo de médicos bebia em um quiosque, em frente ao hotel onde estavam hospedados para um congresso profissional, quando foram surpreendidos por homens fortemente armados, que desembarcaram de um veículo e executaram as vítimas.

Segundo Daniel, o momento mais difícil foi assistir à execução dos três amigos. “Saber que eu perdi os três”, disse. De acordo com ele, minutos antes do ataque, o grupo estava confidenciando projetos e discutindo o futuro. “Era uma amizade muito grande”, afirmou.

Atentado no Rio Morreram o médico paulista Marcos Andrade Corsato, de 63 anos, o ortopedista Perseu Ribeiro de Almeida, de 33, e o também ortopedista Riego Ralf Bondim, de 35, irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (Psol).

De acordo com as investigações, o médico Perseu Ribeiro teria sido confundido com o miliciano Taillon de Alcântara, filho de Dalmir Pereira, apontado como chefe da milícia de Rio das Pedras.

Os corpos dos traficantes que teriam executado os médicos por engano foram encontrados em dois carros na Zona Oeste do Rio, horas após o atentado.

Gratidão Durante a entrevista, Daniel afirmou que sua cabeça mudou um pouco após a experiência de quase morte, e que o processo de recuperação, com sessões diárias de fisioterapia, o faz entender melhor as dores que as pessoas sentem. “Me deixou mais humanizado”, disse.

O médico diz ser muito grato por ter sobrevivido, apesar de não entender ao certo como isso aconteceu, e que ele não tem escolha a não ser seguir adiante. “Não quero só sobreviver. Eu quero voltar 100%”, afirmou.

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