Milei enfrenta primeira greve geral na Argentina em meio a negociações travadas no Congresso

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O presidente da Argentina, Javier Miler, enfrentará nesta quarta-feira, 24, a primeira greve geral convocada pela Central Geral de Trabalhadores (CGT), principal união sindical do país, e que é de orientação peronista. A greve, de 12 horas, terá início ao meio-dia, com uma passeata da sede da CGT até o Congresso. Essa será a primeira manifestação de alcance nacional contra o governo e suas medidas draconianas de ajuste, com as quais busca conter a inflação, que chegou a 211% em 12 meses, um recorde em 30 anos. “A paralisação irá mostrar que existem duas Argentinas, uma que quer ficar atrasada, no passado, na decadência”, disse o presidente. O governo afirmou que irá descontar o dia parado do salário de funcionários públicos que se unirem à greve. O Executivo também criou uma linha telefônica gratuita e anônima para “aqueles que se sentirem extorquidos, ameaçados ou obrigados a parar” por seus sindicatos. Um a cada quatro trabalhadores é sindicalizado no país.

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A greve ocorre em meio a negociações complicadas do Executivo com possíveis aliados no Legislativo para aprovar a Lei Ônibus, que prevê reformas profundas em diversos setores. Enquanto o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), assinado pelo presidente em dezembro, enfrenta recursos judiciais adversos, a Lei Ônibus enfrenta resistência no Congresso, com setores do peronismo, kirchnerismo e esquerda já anunciando que votarão contra. “Nenhum sindicato está em posição de ceder nem um centímetro do que foi conquistado”, afirmou Pablo Moyano, vice-secretário-geral da CGT, que também rejeita uma lei de corte de gastos e desregulamentação da economia discutida no Congresso, onde o governismo é minoria. Também aderiu à convocação a Confederação de Trabalhadores Argentinos (CTA), segunda maior central sindical, assim como as Mães e Avós da Praça de Maio. As possíveis alterações por decreto trabalhista limitam o direito à greve e afetam o financiamento dos sindicatos.

Organizações internacionais de cidadãos e sindicais convocaram a mobilização em favor dos manifestantes argentinos e são esperados atos em Montevidéu, Madri, Londres, Paris e Berlim, entre outras cidades. O partido de Milei, A Liberdade Avança, possui uma bancada reduzida tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, o que torna necessária a negociação com a oposição “dialoguista” para aprovar a Lei Ônibus. A Juntos pela Mudança é a mais favorável ao projeto, enquanto a União Cívica Radical (UCR) e outros partidos mostram maior resistência. Diante da situação econômica do país, com alta inflação e pobreza, Milei enfrenta pressão para melhorar as condições de vida da população nos próximos meses. A greve convocada pela CGT terá impacto político e poderá influenciar as discussões sobre a Lei Ônibus no Congresso. A oposição propensa ao diálogo está evitando desgastar o presidente, mas isso pode mudar.

Milei tem pouca capacidade de mobilizar as ruas, já que a maioria dos argentinos não entende o que está sendo discutido, mas compreendem a inflação e a perda de poder aquisitivo. As negociações no Congresso estão emperradas, principalmente devido à manutenção das retenções, impostos cobrados aos exportadores de grãos, que o governo se recusa a retirar do projeto. Milei, que prometeu baixar impostos durante a campanha, está sendo obrigado a mantê-los e até mesmo aumentá-los em alguns casos, o que é rejeitado por governadores que controlam deputados e senadores. O governo argentino enfrenta necessidades fiscais, mas a resistência política e a insatisfação da população podem colocar em xeque a capacidade do presidente de obter sucesso em seu governo. A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que testou em dezembro seu chamado “protocolo antipiquetes”, ou contra os bloqueios de estradas, reiterou antes da greve que o mecanismo de controle de multidões está em vigor. Entre outras coisas, o protocolo impede o fechamento de ruas e exige que os manifestantes se limitem a permanecer em calçadas e praças.

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