Opinião: Oposição usa “cidade de papel” para atacar Bruno Reis, mas prefeito sobrevive às primeiras chuvas

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Fechada a primeira quinzena de abril, quando historicamente Salvador lida com fortes chuvas, o prefeito Bruno Reis ganhou o direito de respirar ligeiramente aliviado. Afinal, mesmo com diversos percalços e a cidade acumulando muita chuva em um curto espaço de tempo, não houve mortes e grandes desastres. É certo que a oposição tentou se aproveitar da situação, como era natural de acontecer, porém a imagem do prefeito não chegou a ficar desgastada excessivamente. E olha que as chuvas ainda não cessaram.

 

O impacto das águas dos céus como as registradas na capital baiana seria um calcanhar de Aquiles para o prefeito em um ano eleitoral. No entanto, a Defesa Civil passou no teste e com certo nível de louvor. O sistema de monitoramento das zonas de risco emitiu alertas e a população não ficou exposta como em anos anteriores. Dentro da perspectiva histórica das construções irregulares e dos acidentes geográficos que compõem a cidade, é algo a se comemorar.

 

Entretanto, não deixou de ser interessante ver que, ao tratar do assunto, Bruno Reis não escondeu a tensão que envolvia o tema. Tanto que os adversários martelaram que a cidade não teria preparo para a chuva em mais de uma oportunidade – e com múltiplas vozes. De alguma forma, pareceu um esforço concentrado e orquestrado para tentar fazer com que a versão “cidade de papel” vingasse e o prefeito tivesse que lidar com o ônus de uma capital que enfrenta dificuldades quando chove muito em pouco tempo.

 

Para o azar desses adversários, as águas de março que emendaram abril não provocaram nenhuma grande tragédia até aqui, o que diminuiu os riscos dessa temática impactar negativamente na gestão do prefeito. Isso não quer dizer que não existam riscos até outubro, mas pelo menos o período que é considerado mais complicado tradicionalmente não houve um arranhão muito forte na imagem de Bruno Reis. O virtual “caos” foi momentâneo e, ainda que seja algo que atinja diretamente a população, há tempo suficiente para que eventuais ranhuras sejam corrigidas.

 

Problemas com as chuvas são o tipo de tema mais simples de serem comunicados, tal qual outros calos da gestão pública, como a segurança pública, por exemplo. Só que esse segundo assunto é transferido tradicionalmente para o governo e as forças de segurança, então dificilmente estará em debate no pleito de outubro. Já outros temas, como desafetação de terrenos para venda e o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) sem debate, apesar de serem relevantes, não são palatáveis para o grande eleitorado, o que dificulta a atuação da oposição.

 

Ainda assim, é possível identificar digitais de adversários políticos no processo de manter acesas as desafetações e a revisão não feita do PDDU na esfera pública. É um esforço especialmente para atingir as camadas que anteriormente eram conhecidas como “formadoras de opinião”. Trata-se de uma estratégia conhecida e que, em outras oportunidades, funcionou para pressionar o gestor que prefere não arriscar a própria imagem numa corrida eleitoral. Vencendo as fortes chuvas, talvez esses assuntos sejam um chuvisco para Bruno Reis.

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