Opinião: Falta uma marca própria ao governador Jerônimo Rodrigues

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Jerônimo Rodrigues até aqui não conseguiu construir uma marca própria enquanto governador da Bahia. Quando interlocutores políticos são questionados sobre o tema, sempre recorrem a características subjetivas para classificá-lo. “Humildade”, por exemplo, aparece com frequência quando a pergunta envolve a principal qualidade do governador. Porém, por mais que seja imprescindível a um político, esse adjetivo não pode ser a principal lembrança de uma liderança como ele.

 

De todos os feitos desses 18 meses de governo, quase nada é resultado de ações do atual gestor. As escolas de tempo integral, por exemplo, são resquícios da administração de Rui Costa, da qual Jerônimo era até secretário de Educação, mas não conseguiu associar o projeto à figura dele. Investimentos em infraestrutura, idem. Mesmo as ações em outras áreas nevrálgicas do governo, como Saúde e Segurança Pública, quase nada é resultado do esforço do governador. É, na prática, um certo grau de continuísmo que não aconteceu entre as gestões de Jaques Wagner e Rui, para ficar restrito às gestões petistas.

 

A segurança, inclusive, é um tema no qual o governo conseguiria um melhor desempenho, caso não fosse a sensação de insegurança há tanto tempo impregnada na população baiana. A indicação de Marcelo Werner para a pasta e a forma com que o secretário tem lidado com as sucessivas crises mostram que Jerônimo acertou muito mais que seus antecessores. Todavia, é o calo em que a oposição mais consegue construir uma narrativa que implique o chefe do Executivo estadual. E, convenhamos, sem tanto esforço. Basta acompanhar o noticiário e a percepção que a população tem ao lidar com o tema – veja a ascensão e manutenção do “estado policialesco” mesmo no jornalismo “limpinho” de emissoras de televisão.

 

Jerônimo pode até ter sido crucial para trazer a BYD para ocupar o lugar o espaço do antigo complexo da Ford em Camaçari, mas nem isso é facilmente associado ao governador. Nem os aliados costumam remeter ao governador a responsabilidade de trazer a montadora chinesa para a Bahia. Ou seja, se quem está ao lado do governador não consegue criar a narrativa que junte Jerônimo e a BYD, o que dizer do restante da população? E não é apenas uma questão de comunicação, frise-se. É um problema muito mais complexo do que culpabilizar a mensagem: há problemas também no emissor – e, dificilmente, a tão falada “humildade” permitirá que o governador admita essa dificuldade.

 

O tempo de campanha, quando era necessário que o candidato estivesse rodando a Bahia e se mantivesse permanentemente associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deveria ter se encerrado em outubro de 2022, mas parece que Jerônimo ainda segue na mesma lógica. Ou seja, o governador entrega para a oposição a faca e o queijo para que as críticas permaneçam, como se estivéssemos em período eleitoral. A sorte dele é que os adversários permaneceram muito tempo cambaleantes com o resultado das urnas e aqueles que poderiam emergir como oposicionistas têm outros interesses em jogo.

 

Enquanto Jerônimo não conseguir emplacar uma marca própria, os aliados seguirão hesitantes quando questionados sobre o tema. Se Wagner era um político hábil e Rui era um “gerentão”, o atual governador ainda não se encontrou enquanto figura pública. Até quando isso irá durar?

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