Em 30 de junho de 2026, trabalhadores rodoviários do Rio de Janeiro mantiveram a greve após não chegar a acordo em audiência de conciliação no TRT-RJ. A categoria rejeitou a proposta de suspensão temporária com descontos não ocorrendo e retorno ao trabalho condicionado a uma nova rodada de negociação, mantendo o movimento mesmo após uma votação inicial favorável à suspensão ser revertida em segunda votação.

Durante a audiência, o TRT-RJ e o Ministério Público do Trabalho sugeriram suspender o movimento até novas negociações, com vantagens para a categoria: sem descontos pelos dias de greve e pagamento do intervalo intrajornada referente ao dia de paralisação. A proposta foi apresentada, mas não foi aceita pela assembleia.
A greve, autorizada anteriormente por decisão liminar do TRT-RJ, manteve a exigência de que, no mínimo, metade da frota operasse. Inicialmente, a votação autorizou a suspensão com retorno para 1º de julho; porém, em nova votação, a categoria optou por manter a paralisação, mantendo a pressão sobre as negociações.
Revoltadas as luzes da discussão, houve tumulto no Centro: arremessos de ovos, cercos ao carro de som do sindicato e, ao fim da assembleia, atos de vandalismo contra ônibus. Segundo o Rio Ônibus, mais de 15 coletivos foram depredados, e alguns de quem continuava a operar teve retrovisores quebrados; em pelo menos cinco veículos, passageiros precisaram desembarcar.
Três homens foram presos pela Polícia Militar após tentarem tomar as chaves de um ônibus na Avenida Presidente Vargas, nas proximidades do Sambódromo, em uma ação que acirrava as tensões entre trabalhadores e empresas.
Entre as reivindicações dos rodoviários estão reajuste salarial de 17%, piso de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais, R$ 5 mil para condutores de BRT, vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e adoção da jornada 5×2. Em contrapartida, o Rio Ônibus manteve uma proposta de reajuste de 4,39% e afirmou não apresentar nova oferta por dificuldades financeiras e redução de subsídios ao transporte público. O sindicato propôs um reajuste escalonado de 8% já e 8,3% em novembro, proposta que foi rejeitada pelos patrões.
Para mitigar impactos, o TRT-RJ determinou a circulação de pelo menos 50% da frota durante a greve. Dados do Rio Ônibus mostram que cerca de 1,4 mil ônibus operavam, abaixo do mínimo exigido de 1,8 mil, levando a um apelo para que motoristas se dirigissem às garagens para cumprir a decisão. A Prefeitura orientou a população a priorizar metrô, trens e barcas para deslocamentos.
Medidas de apoio à operação foram anunciadas: a TrensRJ confirmou 30 viagens extras e reforço de equipes, enquanto a MOBI-Rio informou aumento de 26% na frota do BRT em relação a 29/06. A situação ganhou ainda material audiovisual, com vídeo sobre o impasse disponível em plataformas públicas.
As negociações devem seguir: nova audiência de conciliação no TRT-RJ foi reprogramada para 1º de julho, às 11h, após o Sindicato dos Trabalhadores comunicar que não aceitará suspender a greve sem proposta considerada satisfatória.
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