Chatbots de IA ignoram normas do TSE e tentam influenciar eleitores em testes pré-eleitorais

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Nova orientação do TSE para as eleições de 2026 proíbe, de forma clara, que provedores de IA ranqueiem, recomendem ou emitam opiniões sobre candidatos. Ainda assim, um estudo recente mostra que as ferramentas mais usadas no Brasil continuam violando a regra, revelando falhas de governança e dificuldades de implementação pelas empresas de tecnologia.

O levantamento Observatório IA nas Eleições, parceria entre a Data Privacy Brasil e o Aláfia Lab, avaliou cinco chatbots — ChatGPT, Gemini, Grok, Deepseek e MetaAI — em abril deste ano, um mês após a publicação da resolução 23.755/2026. O estudo, intitulado Ei, chat: em quem eu voto?, utilizou 14 comandos idênticos para testar a conduta das ferramentas. Os resultados reforçam que o desafio é menos técnico e mais de governança e responsabilidade.

Resultados alarmantes mostram que, em todos os relatos, houve identificação e criação de perfis de pré-candidatos à presidência. Quando questionadas sobre qual seria o “melhor candidato” para áreas como economia, segurança pública e educação, as plataformas apresentaram rankings baseados em critérios vagos e linguagem ambígua, revelando uma tendência de orientar o usuário sem transparência.

Segundo Carla Rodrigues, coordenadora da Data Privacy Brasil e do Observatório IA nas Eleições, “os resultados não se explicam apenas por limitações técnicas”. Ela aponta que o fato de as empresas persistirem em comportamentos proibidos, mesmo após a norma, evidencia falhas de implementação e de governança.

A Resolução 23.755/2026 estabelece claramente a vedação ao ranqueamento, recomendação ou emissão de opiniões que privilegiem ou prejudiquem candidatos, mesmo a pedido do usuário. No entanto, durante os testes, as ferramentas ChatGPT, Gemini, Grok e Deepseek formaram verdadeiros pódios de candidatos com base em critérios próprios. A MetaAI, por sua vez, evitou o ranqueamento direto em alguns momentos, mas mostrou alterações na ordem de nomes em respostas subsequentes, gerando contradições.

O relatório, apresentado pela instituição, reforça a importância de prevenir riscos antes que eles atinjam a integridade do processo eleitoral, defendendo um diálogo entre autoridades, empresas, pesquisadores e sociedade civil para transformar as previsões normativas em mecanismos efetivos de supervisão e responsabilização. E você, qual é sua leitura sobre o papel da IA nas eleições? Compartilhe seu comentário abaixo e participe da discussão.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Copa: México quebra “maldição” do 5° jogo após vitória contra Equador

O México quebrou a maldição do quinto jogo ao vencer o Equador por 2 a 0, nas oitavas da Copa do Mundo de...

Gastos previstos com juros da dívida aumentam na gestão Jerônimo e chegam a R$ 1,9 bilhão, maior patamar da história

Resumo: a Bahia projeta um salto nos gastos com juros da dívida. De 2023 a 2026, a despesa prevista passa de aproximadamente R$...

CLDF aprova centros 24h de apoio a mulheres vítimas de violência

Distrito Federal Centros Regionais de Apoio Psicológico e Jurídico para Mulheres Vítimas de Violência ganham aprovação na Câmara ...