Neste sábado (3), a Venezuela enfrenta um dia de protestos decisivo em oposição à reeleição de Nicolás Maduro, que tem intensificado ameaças contra os líderes da oposição, forçando-os a se manterem escondidos. A líder da oposição, María Corina Machado, convocou uma manifestação em uma das principais avenidas de Caracas. O temor de uma repressão como a ocorrida em 2017, que resultou em quase 100 mortes sob o governo Maduro, tem gerado medo de sair às ruas diante do aumento das ameaças do líder chavista, declarado vencedor nas eleições do último domingo por instituições eleitorais controladas por seu governo, em meio a acusações de fraude por parte da oposição e de países vizinhos.
As atas de votação ainda não foram divulgadas. Maduro, em coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros, ressaltou: “Houve múltiplos chamados de fraude por parte desse setor da direita, radical, criminosa e violenta da Venezuela. Eles se recusam a reconhecer os mecanismos nacionais e soberanos da Venezuela, apenas querem manter o espetáculo da farsa”. A oposição alega ter evidências de fraude e divulgou um site com cópias de 84% das atas em seu poder. O chavismo insiste que são documentos falsos. Machado, em meio à clandestinidade por medo de sua vida, afirmou: “Precisamos continuar avançando para fazer valer a verdade. Temos as provas e o mundo já as reconhece”.
De acordo com a oposição, González teria recebido 67% dos votos. Até o momento, 11 civis e um militar perderam a vida em protestos após a votação, e mais de 1.200 pessoas foram detidas em manifestações por todo o país nos dias seguintes ao pleito. A oposição denuncia uma “repressão brutal” e relata 20 mortes e 11 desaparecimentos forçados. Recentemente, a sede da oposição em Caracas foi alvo de ação por parte de homens armados e encapuzados, além da detenção arbitrária de um de seus líderes, o jornalista Roland Carreño, na capital.
A crescente aceitação da vitória da oposição
Em questão de horas, cinco países latino-americanos reconheceram a vitória de Edmundo González Urrutia nas eleições. O Peru foi o pioneiro na terça-feira, enquanto outros governos denunciavam uma possível fraude eleitoral. Argentina, Uruguai, Equador, Costa Rica e Panamá também reconheceram na sexta-feira a vitória da oposição. O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou que há “evidências contundentes” que certificam González Urrutia como vencedor das eleições de 28 de julho.
Maduro agradeceu o apoio dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, Colômbia, Gustavo Petro, e México, Andrés Manuel López.O presidente Obrador está a favor de um acordo político na Venezuela. Segundo o presidente socialista, “o presidente Lula, o presidente Petro e o presidente López Obrador estão unindo esforços para garantir o respeito à Venezuela e impedir que os Estados Unidos intervenham como estão fazendo”. Maduro acusa Machado e González Urrutia de incitarem atos de violência e de tentarem promover um “golpe de Estado” com o respaldo de Washington. Em declarações na quarta-feira, ele afirmou que ambos deveriam ser presos.
Maduro também alertou sobre possíveis planos de uma violenta “emboscada” durante uma manifestação marcada para sábado em Caracas por Machado. O presidente denunciou que “criminosos” ligados à oposição estariam planejando “um atentado” próximo ao bairro de Caracas onde Machado planejou a manifestação. Maduro, que está no poder desde 2013 e tem 61 anos, convocou o que chamou de “a mãe de todas as marchas para celebrar a vitória” neste sábado. Nicarágua, Rússia e Irã estão entre os países que reconheceram a vitória de Maduro.
Escrito por Luisa Cardoso
*Com informações da Agência France-Presse

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