Um dos setores em destaque que impulsionou a criação de empregos no Brasil no primeiro semestre deste ano foi o turismo. Segmentos como hotéis, bares, restaurantes e transportes rodoviários foram os que mais contrataram. A cada 10 empregos gerados nos primeiros seis meses de 2024, um deles era do ramo do turismo, totalizando quase 100 mil novas vagas com carteira assinada. Esses dados foram compilados pelo Ministério do Turismo com informações do Caged e do Ministério do Trabalho e Emprego. O setor turístico representa 8% do PIB brasileiro e engloba 50 atividades econômicas.
O aumento na taxa de emprego reflete não só a demanda reprimida causada pela pandemia, mas também uma mudança de mentalidade das novas gerações. De acordo com Bruno Omori, presidente do Instituto de Desenvolvimento de Turismo, Cultura, Esporte e Meio Ambiente, a geração Z prefere vivenciar experiências a adquirir bens como imóveis ou carros, optando por viagens tanto nacionais quanto internacionais. A região Sudeste liderou a geração de novos postos de trabalho, com mais de 359 mil vagas, sendo São Paulo o estado mais representativo nesse cenário.
A cidade de São Paulo, conhecida por seu turismo de negócios, está se tornando cada vez mais atraente para o turismo de lazer, oferecendo diversas opções culturais e gastronômicas. Com um crescimento anual de 1 a 2% na taxa de ocupação, destinos como Campos do Jordão, Atibaia e São Pedro alcançam taxas de ocupação próximas a 90% durante as férias de julho. A região Sul ocupa o segundo lugar em geração de empregos no setor turístico, com destaque para o Paraná, seguido pela região Nordeste, impulsionada pela Bahia.
Apesar do aumento das viagens domésticas, atrair turistas estrangeiros ainda é um desafio. Para Marco Pessoa, especialista em turismo do R?u Ecossistema, a eliminação do visto para americanos foi uma decisão acertada, uma vez que os Estados Unidos representam um mercado significativo para o turismo receptivo.
A expansão de empregos no setor turístico já era prevista por especialistas. Marco Pessoa acredita agora que a perspectiva é de estabilização, influenciada pela volatilidade do câmbio do dólar, que impacta nas tarifas aéreas e hoteleiras. Ele reconhece os esforços do governo na melhoria da infraestrutura aeroportuária, porém ressalta a importância de reforçar a segurança e a informação para turistas estrangeiros.
Publicado por Luisa Cardoso
