Investigação da Polícia Federal volta sua atenção para a cúpula da Abin na gestão de Lula, em meio a um embate causado pela mudança na corregedoria. A direção da Abin durante o governo do PT tornou-se um dos principais alvos da PF na investigação sobre um suposto órgão paralelo de espionagem no governo atual.
Os investigados que foram ouvidos nesta fase do inquérito da “Abin paralela” relataram questionamentos, incluindo a suspeita de que a chefia da inteligência, sob o governo de Lula, possa ter tentado atrapalhar as investigações da PF. Os investigadores acreditam que já possuem elementos suficientes para indiciar membros da agência e estão buscando mais provas para subsidiar o inquérito.
Há a possibilidade de medidas contra a cúpula da Abin nas próximas operações, incluindo o afastamento de diretores, conforme apurado por fontes próximas ao caso. Desde a transição, chefias da PF e da Abin sob Lula têm trocado críticas internamente no governo.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, chefiou a equipe de segurança de Lula durante a campanha, enquanto o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, foi diretor da PF no segundo mandato do ex-presidente. Alguns alegam a existência de um possível conluio entre a gestão atual e anterior da inteligência. Do lado da Abin, fala-se em tentativa da PF de dominar essa área.
A recente troca na corregedoria da agência renovou as tensões entre as duas instituições. Corrêa decidiu não renovar o mandato da oficial Lidiane Souza dos Santos e escolheu o delegado da PF José Fernando Moraes Chuy para a posição, ligado ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso.
O embate se intensifica com a indicação de Lidiane pelo ex-diretor da Abin Victor Carneiro, aliado de Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da agência e alvo da PF por suspeitas de espionagem na gestão Bolsonaro. Em entrevista recente, o diretor-geral da PF elogiou a atual corregedora da Abin e desconhecia formalmente o pedido de cessão de Chuy.
A incerteza sobre possíveis vínculos e a suposta contaminação da Abin são temas em discussão nos bastidores. O diretor-geral da PF afirmou que não poderia confirmar se houve conluio ou se a Abin atual está contaminada. A troca na corregedoria segue sendo um ponto sensível nessa complexa relação entre as instituições.Recentemente, surgiram informações vindas da corregedora que apontam possíveis irregularidades na gestão de Lidiane. Investigadores destacam que esses são pontos cruciais que sustentam as suspeitas contra a atual administração.
O trabalho de Lidiane na Abin tem sido alvo tanto de elogios quanto de questionamentos. Opiniões divergem em relação ao desempenho da gestora, gerando debates e reflexões dentro da instituição.
O sindicato Intelis, representante da categoria, mostrou-se crítico em relação à recente troca na Abin, protestando contra a escolha de Chuy, um delegado da PF, em detrimento de um oficial de inteligência. Essa decisão gerou desconforto e descontentamento entre os membros do sindicato.
A decisão da Abin de remover Lidiane do cargo levanta questionamentos, principalmente devido ao fato de que os investigadores da PF afirmam que há total cooperação por parte da gestora. Além disso, há preocupações com possíveis conflitos de interesses, tendo em vista que alguns dos investigados também possuem vínculos com a PF.
A Associação Intelis aponta um conflito de interesses evidente devido à escolha de Chuy, que é policial federal e oficial da reserva do Exército, enquanto a investigação destaca a participação de policiais federais e militares em esquemas ilícitos.
Apesar da defesa feita pelo sindicato, alguns membros da Abin alegam que a investigação inicial sobre o software FirstMile foi conduzida de forma superficial pela gestão anterior, sem ouvir os servidores envolvidos. Somente após a repercussão na imprensa, a nova administração iniciou uma sindicância e ouviu os envolvidos.
A PF começou a investigar o caso após informações indicarem que a Abin utilizou ilegalmente o software FirstMile para monitorar opositores durante o governo Bolsonaro. Essa ação resultou em ações de busca e apreensão na Abin e na exoneração de membros da alta hierarquia da agência.
Elementos indicam que houve tentativa de obstrução por parte da Abin, como reuniões estratégicas para dificultar as investigações. Por outro lado, membros da agência defendem que tais encontros visavam somente proteger a identidade de agentes e manter sigilo sobre operações de inteligência.
Recentemente, a PF ampliou suas investigações para analisar uma reunião não agendada realizada entre Luiz Fernando Corrêa e Ramagem na Abin. Integrantes da agência negam qualquer ligação com as investigações, justificando a reunião como um encontro protocolar devido à posição de Ramagem como deputado federal na época.

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