Todo dia ocorre uma festa na Bahia? Essa questão, que é mencionada na música ‘Beijo na Boca’ de 1996, na voz de Netinho, levanta dúvidas sobre a realidade vivida no estado, especialmente em Salvador, no ano de 2022.
Para os amantes e organizadores de festas, é evidente o impacto da pandemia de Covid-19 na indústria de eventos. Este setor, um dos mais afetados pelo distanciamento social, ainda se recupera dos impactos e enfrenta diversos desafios na capital baiana, como os altos custos dos fornecedores, a escassez de locais adequados e o comportamento do público diante das celebrações.
As reclamações do público em relação aos preços dos ingressos têm se tornado cada vez mais comuns nas redes sociais, algo que não passa despercebido pelos empresários do ramo, que justificam os aumentos devido aos altos custos envolvidos na produção de eventos de qualidade.
Em uma entrevista ao veículo Bahia Notícias, o empresário Marcelo Brito, da Salvador Produções, responsável por grandes eventos na capital e pela carreira do cantor Léo Santana, destaca que as dificuldades na realização de eventos não estão restritas apenas a Salvador.
Segundo Brito, a situação se estende por todo o Brasil, refletindo em uma queda nas vendas de ingressos para eventos privados. Ele observa que eventos gratuitos, como festas juninas e shows em cidades próximas, concorrem diretamente com os eventos pagos, afetando a escolha do público. O empresário ressalta a alta demanda por shows do cantor Léo Santana, que realiza uma média de mais de 20 apresentações por mês, a maioria patrocinada pelas prefeituras.
Além da competição com eventos gratuitos, Brito menciona a condição financeira do público como um fator relevante. Ele acredita que a situação econômica desfavorável tem impacto direto na decisão do público em investir em festas privadas.
Outro empresário, que não quis se identificar, também abordou esse cenário ao Bahia Notícias. Ele destacou a falta de datas extras para shows de artistas renomados em Salvador, atribuindo esse fato ao poder de consumo mais baixo na cidade em comparação com outros locais, como Rio de Janeiro, São Paulo e Recife.
A realidade desafiadora se estende até mesmo para produtores de eventos menores, como Rodrigo Melo, da empresa Pequena Notável. Mesmo obtendo sucesso nas festas realizadas em Salvador, Melo destaca a importância de se adequar ao mercado e estudar cuidadosamente os nichos que sua empresa atende, levando em consideração as preferências de um público mais maduro, por exemplo.
Esses relatos evidenciam os desafios enfrentados pelos empresários de eventos em Salvador, diante de um cenário complexo marcado por alta concorrência, custos elevados e um público cada vez mais criterioso.Organizar eventos voltados para o público LGBTQIAPN+ requer um entendimento preciso do público-alvo, conforme destacado por Melo. A questão levantada sobre os valores dos ingressos é considerada justa e esperada pelo empresário. Ele aponta que é comum que as pessoas reclamem de preços, independente do nicho de mercado, refletindo sobre os aumentos de custos no cenário pós-pandemia, o que dificulta equilibrar as finanças.
Apesar do aumento dos custos para a produção de eventos, a Pequena Notável optou por não elevar o valor dos ingressos, mantendo os preços em um nível anterior. Essa decisão apresenta um desafio para a empresa, que busca encontrar maneiras de viabilizar os eventos sem comprometer a acessibilidade do público à programação.
Melo ressalta que a manutenção dos preços anteriores, mesmo diante do aumento dos custos de fornecedores, torna a realização de eventos uma tarefa desafiadora. Em muitos casos, a bilheteria é a principal fonte de receita para cobrir os gastos, e a falta de apoio de patrocinadores ou renda adicional pode resultar em prejuízo financeiro para os organizadores.
A situação enfrentada pela Pequena Notável reflete uma preocupação mais ampla no setor de eventos, como mencionado por artistas como Léo Santana e Anitta, que também têm enfrentado dificuldades na venda de ingressos para shows no país. A complexidade do mercado atual influencia diretamente a viabilidade econômica dessas iniciativas artísticas.
Além dos desafios financeiros, a falta de novos espaços para eventos em Salvador é uma queixa frequente entre o público. Enquanto a capital baiana conta com algumas opções para eventos de grande porte, encontrar locais adequados para festas menores continua sendo um obstáculo. A criatividade dos produtores é essencial para contornar essa limitação de espaços disponíveis na cidade.
A busca por novas formas de movimentar o cenário cultural de Salvador além do Carnaval envolve não apenas questões de infraestrutura, mas também de patrocínio e mobilidade na cidade. A diversificação de eventos em diferentes períodos do ano demanda uma maior oferta de espaços e um ambiente propício para a realização de atividades culturais para diversas audiências e segmentos econômicos.Há locais se adaptando aos eventos, porém não temos locais próprios para isso. Surge então a possibilidade de realizar uma festa no Subúrbio. Como atrair esse público para cá? Além do valor do ingresso, há o custo do transporte, o que pesa no bolso. Quem teria mais de R$ 200 para gastar em uma noite?”, indagou.
Alguns dos espaços aptos para receber eventos de grande, médio e pequeno porte na capital baiana são:
– Arena Fonte Nova
– Parque de Exposições
– WET
– Arena Daniela Mercury
– Centro de Convenções
– Casarão Salvador Hall
– Trapiche Barnabé
– Porto Salvador
– Chácara Baluarte
– Pupileira
– Parque Tecnológico
– Arena Santiago
– Mali
– Clube Espanhol
– Casa Pia
– Pátio da Igreja Santo Antônio Além do Carmo
– Club Fantoches Da Euterpe
– Casa Rosa
– MAM
– Concha Acústica
– Largo do Pelourinho
– Praça Tereza Batista
– Praça Quincas Berro D’Água
– Largo Pedro Arcanjo
– Praça das Artes
– Largo da Tieta
O CENÁRIO É DEFINITIVO?
Para Brito, o cenário atual do mercado de eventos não é definitivo. “Acreditamos que é momentâneo. Porque evento privado é evento privado, proporciona maior segurança e um conceito superior de banheiros e bares, o que não se tem em eventos públicos. Penso que isso faz parte, com as eleições sendo um momento conturbado, mas certamente a partir de 2025 voltaremos com força”, afirma o empresário.
Uma das soluções tem sido investir na reformulação de grandes eventos, como o Salvador Fest, além de projetos diferentes e especiais, como o Paggodin, idealizado por Léo Santana e que será realizado no Centro de Convenções de Salvador.
“É um modelo moderno que caracteriza e personaliza melhor o artista, permitindo mais tempo de show e mostrando um lado diferente dele. Já vem de vários artistas, como Safadão, Henrique e Juliano, Gusttavo Lima, Luan Santana, e nós não poderíamos ficar de fora. Chegou a hora de trazer novidades, novos elementos, conceitos e conteúdos, e a Salvador Produções, uma empresa conectada com o mercado e o público, consegue entregar isso”.
Essa opinião é compartilhada por Rodrigo Melo, que acredita na retomada do mercado e na reinvenção da forma de organizar festas. “Todo mercado é cíclico e precisamos nos reinventar. É o que sabemos fazer e o mercado precisa se movimentar. Já estamos nos reinventando, a própria pandemia nos fez criar projetos como a Vila Baluarte e o Solar Baía. E agora estamos nos reinventando novamente, existem diversas saídas para isso”.

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