Igrejas evangélicas brasileiras enfrentam preconceito na Espanha

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A presença de igrejas evangélicas brasileiras na Espanha vem crescendo, movida pela imigração latino-americana. Em Madri, os templos funcionam como pontos de apoio para moradores que chegam em busca de acolhimento, ainda que o tema desperte preconceitos. Dados nacionais ajudam a entender o fenômeno: há 1.187 templos evangélicos no país, com 455 aberturas nos últimos cinco anos, um aumento de 62%.

Na capital, o bairro de San Blas abriga a igreja brasileira Deus é Amor, cuja fachada colorida atrai fiéis de várias nacionalidades aos domingos. Para muitos imigrantes, o templo é mais que um espaço de culto: é um lugar de acolhimento e apoio familiar. A paraguaia irmã Clara, que vive na Espanha desde 2019, descreve o ambiente como uma grande família, marcada pela convivência solidária.

A expansão não se limita a Madri. O Observatório de Pluralismo Religioso aponta que uma nova igreja evangélica surge a cada quatro dias na Espanha, totalizando 1.187 templos. Nos últimos cinco anos, foram abertas 455 novas congregações, o que representa um crescimento de 62%. Em Barcelona, a presença evangélica quase dobrou em duas décadas, segundo a Direção Geral de Assuntos Religiosos da Generalitat.

No comando da igreja Deus é Amor em Madri está o pastor Gilberto Miranda de Moraes, natural do Rio Grande do Sul. Ele conduz cultos que mesclam português e espanhol, abordando fé, vida conjugal e prosperidade financeira, com momentos de oração por fiéis que enfrentam problemas de saúde, emprego ou renda.

Estima-se que cerca de 1,5 milhão de fiéis participem dessas igrejas na Espanha. Entre as denominações presentes estão a Universal do Reino de Deus, Batista da Lagoinha, Mais de Cristo, Comunidade Evangélica Internacional Zona Sul, Cristã Maranata e Verbo da Vida, disputando espaço com congregações de outros países latino-americanos.

Chema Alejos, professor, atribui a expansão ao fluxo migratório intenso de latino-americanos, que buscam proximidade cultural e apoio em um novo país. A Espanha abriga cerca de 4 milhões de imigrantes latino-americanos, muitos vivendo em situação irregular, o que alimenta debates sobre regularização e deportação.

Moradores como Sandra, equatoriana em Madrid desde 2016, relatam que templos como a Adventista do Sétimo Dia ajudam na busca por emprego e moradia, fortalecendo vínculos entre os moradores locais. Em contrapartida, relatos de discriminação aparecem fora dos templos: a pregadora dominicana Josefa Nava, de 78 anos, já foi multada por evangelizar em espaços públicos. O pastor Gilberto Miranda aponta que preconceitos de uma suposta superioridade europeia alimentam esse tipo de reação.

A relação entre protestantismo e a sociedade espanhola tem raízes de perseguição durante o passado católico e o regime franquista. A liberdade religiosa só foi plenamente restabelecida com a transição para a democracia. Em meio a tensões, organizações como Hello World ajudam migrantes; a composição entre evangélicos na Espanha também inclui grupos historicamente marginalizados, como a comunidade cigana, revelando as dificuldades de inclusão no conjunto da sociedade.

Como reflexo desse cenário, as igrejas de origem brasileira na Espanha aparecem como espaço de acolhimento para moradores que chegam buscando uma nova vida, ao mesmo tempo em que enfrentam preconceito e exclusão. Que leitura você faz sobre esse fenômeno e qual é a sua visão sobre o papel da religião na integração de pessoas que migram? Compartilhe suas opiniões nos comentários e participe da conversa.

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