Candidaturas LGBTQIA+ desafiam rótulos tradicionais da política brasileira ao se aproximarem de grupos políticos com os quais, à primeira vista, não teriam muita afinidade. Em um movimento que busca desconstruir estereótipos, vemos candidatos que fogem do padrão esperado, como homossexuais apoiadores de Jair Bolsonaro e evangélicos filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Um exemplo desse cenário pode ser observado em Piracicaba, interior de São Paulo, onde o pastor Julio Carneiro se filiou ao PT. Essa decisão surpreendeu até mesmo membros do próprio partido. Carneiro, líder da igreja Vida em Jesus, é o único pastor da cidade a se unir ao PT e se lança como candidato a vereador nestas eleições. Sua filiação gerou descontentamento entre seus seguidores, resultando na perda de fiéis e até “mil amigos no Facebook,” como brinca o religioso.
Por outro lado, figuras como Suellen Rayanne, uma mulher trans candidata a vereadora em Rio Claro, se declaram bolsonaristas, gerando discussões e questionamentos sobre a diversidade de opiniões que o movimento LGBTQIA+ abarca. Da mesma forma, Douglas Garcia, homem gay e candidato a vereador em São Paulo, se identifica como bolsonarista, rompendo com a ideia preconcebida de alinhamento político.
Já Vini Lima, candidato do PSol a vereador na cidade de São Paulo, representa a diversidade de correntes dentro dos movimentos progressistas. Sua candidatura traz à tona a pluralidade de visões políticas presentes inclusive dentro de partidos historicamente ligados à esquerda, desafiando a ideia de alinhamentos fixos e potencializando a representatividade política de grupos minorizados.
Esse movimento de candidaturas que desafiam rótulos pré-estabelecidos mostra a complexidade da política brasileira e a diversidade de vozes que encontram espaço para se expressar. A pluralidade de opiniões e visões de mundo reflete a riqueza e a dinâmica do cenário político atual, onde as identidades e ideologias não se encaixam mais em categorias simplistas, mas se entrelaçam em um mosaico de narrativas e lutas pelo reconhecimento e protagonismo.Pastor Rubens Cavalcanti, candidato a vice-prefeito na cidade de Diadema, está integrando a chapa do PT. Na sua perspectiva, o partido é aquele que mais coloca em prática os princípios contidos na Bíblia. Para o líder religioso, “Todos os mandamentos se resumem em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e, ao próximo, como a ti mesmo. E, quando eu amo a pessoa, eu vou querer que ela tenha um bom hospital, um bom pronto-socorro, uma boa escola”, conforme suas palavras.
Por outro lado, em um espectro político diferente, encontramos Suellen Rayanne, mulher trans e filiada ao União Brasil. Ela está concorrendo ao cargo de vereadora na cidade de Rio Claro. Suelen se considera bolsonarista, o que a coloca em uma posição ideológica oposta à do Pastor Rubens, demonstrando a diversidade de ideologias presentes no cenário político atual.
Outro candidato em destaque é Douglas Garcia, homem gay e candidato a vereador na cidade de São Paulo. Assim como Suellen, Douglas se considera bolsonarista, alinhando-se a uma visão política específica. Essa diversidade de candidatos e posicionamentos demonstra a pluralidade de opiniões e ideologias presentes nas eleições municipais.
Vini Lima, por sua vez, é candidato do PSol a vereador na cidade de São Paulo, representando um espectro político diferente dos candidatos anteriormente mencionados. Com propostas e ideais alinhados com o partido, Vini Lima busca uma posição no legislativo municipal para representar uma parcela da população com suas demandas e anseios.
Em meio a essa diversidade de candidatos e ideologias, Pastor Rubens Cavalcanti se destaca como representante do PT, trazendo consigo uma visão política ancorada em valores religiosos e sociais. Sua candidatura a vice-prefeito em Diadema demonstra como religião e política muitas vezes se entrelaçam no cenário eleitoral, refletindo a complexidade da sociedade brasileira e suas múltiplas facetas.
Cada candidato, com sua história e ideologia, representa uma parcela da diversidade presente na sociedade brasileira, evidenciando a importância do debate político e da representatividade nas eleições municipais. Os eleitores têm o papel fundamental de analisar as propostas e ideais de cada candidato, buscando escolher aqueles que melhor representem seus interesses e anseios no âmbito político local.Suellen, conhecida como Trans de Direita nas redes sociais, alcançou notoriedade por seus posicionamentos críticos em relação ao que ela define como “ideologia de gênero”.
“Acredito que os conservadores estão começando a aceitar a existência de LGBTs de direita. Ou seja, eu acredito que há espaço para todos nós, né? E acredito que os LGBTs de direita merecem ter voz”, explica a candidata sobre sua postura política.
## Padrinhos políticos
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado se aproximar da comunidade evangélica, visto que seu apoio diminuiu em muitas igrejas devido ao aumento de discursos conservadores, a ideia de Jair Bolsonaro participar de um evento LGBT+ parece improvável.
Os candidatos LGBT+ apoiadores de Bolsonaro nessas eleições refutam a acusação de homofobia contra o ex-presidente, embora ele tenha sido condenado por declarações consideradas preconceituosas pela justiça.
“Eu sinceramente ignoro tudo o que Bolsonaro diz, porque suas ações valem mais do que suas palavras. Não podemos levar em conta o que pessoas com mais de 70 anos pensam sobre as pautas LGBT+”, afirma Douglas Garcia, candidato homossexual à vereança em São Paulo pelo partido União Brasil e declaradamente bolsonarista.
“Ele nunca foi desrespeitoso comigo, já o conheci, tenho contato com ele. É alguém que me respeita muito, me admira, e me trata muito bem”, defende Suellen Rayanne ao afirmar que Bolsonaro não é transfóbico.
## Base eleitoral
Douglas Garcia, candidato a vereador, já foi deputado estadual em São Paulo. Apesar de polêmico e alvo de mais de 80 processos judiciais por suposta transfobia enquanto estava na Assembleia Legislativa, ele destaca que grande parte de seu eleitorado é composto por LGBTs de direita.
“Eles têm uma participação extremamente importante, enorme, eu diria. Essas pessoas muitas vezes não se sentem confortáveis em expor sua sexualidade, então pode parecer que são menos numerosos”, afirma o candidato.
## “Não sou como o Malafaia”
Enquanto muitos associam evangélicos no campo político a figuras como o pastor Silas Malafaia, que liderou um ato bolsonarista na Avenida Paulista no 7 de setembro, Vini Lima, candidato do PSol à vereança em São Paulo, é evangélico e aborda sua fé abertamente nas redes sociais. Vini explica que, ao participar de eventos de esquerda, precisa desconstruir preconceitos sobre sua religião.
“Sempre se espera um ‘mas’ quando você se apresenta como evangélico. Não sou como o Malafaia, não sou como o Feliciano. Essa necessidade de justificativa para ser aceito e respeitado na esquerda precisa acabar. Por que o Malafaia é evangélico e nós somos os evangélicos progressistas? Somos todos evangélicos, apenas isso. Por que ele não é o evangélico fascista?”, questiona o político.
Em Diadema, o Pastor Rubens Cavalcanti (PV) concorre a vice-prefeito na chapa liderada pelo PT, com Filippi. Ele acredita que o cenário político está mudando.
“O Brasil passou por um momento intenso de extremismo político, com discursos que dividiram nossa nação. Tenho percebido que esse extremismo de ambos os lados está diminuindo a cada dia, as pessoas estão percebendo que o ódio não nos levará a lugar algum”, opina o político e pastor.

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