Recentemente, a Polícia Federal efetuou a prisão de 18 pessoas na Amazônia por envolvimento em grilagem de terras, um crime comum e recorrente em Brasília, mesmo diante da proximidade das autoridades policiais e judiciais.
Há inquéritos em andamento, provas coletadas pela Polícia Federal contra grileiros, funcionários públicos e até políticos, além de denúncias robustas feitas pelo Ministério Público.
Apesar disso, os acusados seguem impunes, ocupando cargos públicos e políticos sem que haja prisões ou condenações, em um processo arrastado e sem desfecho definitivo.
Inclusive, há registros de uma conversa interceptada pela Polícia Federal em que o principal suspeito de grilagem em Brasília dialoga com o então governador Joaquim Roriz, confessando a distribuição irregular de lotes a servidores públicos e desembargadores, além de reclamar da intervenção de um funcionário do governo que mandou remover as cercas do loteamento. O governador responde: “Deixe comigo. Vou administrar. Vai ficar de bom tamanho, viu?”, diante da confissão de um crime, sem acionar as autoridades competentes para providenciar a prisão do suspeito.
Essa situação escandalosa foi praticamente esquecida pela mídia local, seduzida pela figura do governador, enquanto a mídia nacional não dedicou atenção devida a esse caso.
(Publicado aqui em 8 de dezembro de 2004)

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